Bem sei que prometi passar por aqui e deixar a minha leitura sobre o Deserto. Não foi tão rápido como desejado, mas o tempo é mesmo inexorável (e não chega para tudo). O que importa é que hoje cá estou a cumprir a promessa de falar sobre um dos mais belos livros de Clézio. Falar não será bem o termo, pois fica-se sem fala perante a beleza da escrita do autor. Será antes rascunhar umas frases (imprecisas e provavelmente impertinentes) num apontamento sobre o livro. Mas de uma coisa podem estar certos: fiquei fascinada com o povo azul das areias escaldantes...
A lentidão e a cadência de uma caravana no deserto. Assim começa este magnífico romance que nos faz partilhar a vida de Lalla - uma jovem marroquina - durante a colonização francesa.
O autor perde-se (e perde-nos) em brilhantes descrições do deserto, da vida dos "homens azuis", do peso das suas lendas, do valor fundamental da memória dos idosos que não são apressados pelo tempo...
Um magnífico romance sobre a beleza original de uma civilização perdida, da qual os homens azuis do deserto sabem guardar lembranças.
Um magnífico romance sobre a força da identidade e a crueldade do exílio... Mais do que a pobreza, Clézio denuncia o abandono e o esquecimento.
O sol, o calor, as cores, os aromas, a beleza, a poesia, uma subtil mistura de emoções, onde as palavras - aparentemente banais - nos fazem entrar no coração das próprias "palavras", como numa viagem...
Uma escrita despojada e simples como o deserto, com toques de poesia e música...
As palavras são simples como as de um contador. Agarram o leitor pela mão e convidam-no a entrar no seu sonho... pelo trilho quente de um deserto em constante mudança.