Este foi o romance que mais vendeu no Japão. É um facto. Mas não foi por isso que o li. Li-o porque a aparente simplicidade do livro me cativou... E porque, de repente, me revi naquele amor...
Com uma história que bem poderíamos classificar como comum e até a carecer de imaginação, este é um livro delicado e uma imensa lição de amor. É um romance desses cujas páginas e palavras se devem saborear no mais apetecível silêncio, deixando-nos levar por um ritmo que nos acalma e nos transporta para uma cultura bem diferente da nossa. No entanto, o tema que o domina é universal e não conhece fronteiras: o amor. O amor eterno, diria. Aquele que transcende a idade ou a cultura... Esse amor que não se procura, que não se encontra por casualidade. O verdadeiro amor, o que nos encontra a nós, o que surge de um olhar...
Na sua aparente simplicidade, o texto esconde uma complexa "maquinaria" literária, onde todas as palavras e todas as histórias - mesmo as mais tolas - têm uma finalidade, num complexo e perfeito mecanismo de relojoaria narrativa. Até a natureza e o ambiente funcionam como personagem.
De facto, com uma linguagem simples e próxima de nós, leitores, numa escrita consistentemente bela, o autor empresta beleza a pensamentos complicados e duros. A nostalgia invade-nos, é uma verdade. Mas com um doce sorriso nos lábios...
Fiquei tão absorvida pelas personagens e pela filosofia que delas se desprende que terminei o livro sem chorar. Nem fazia falta...
A magia dos livros resisde nisto mesmo: em se perceber o seu conteúdo de diferentes maneiras...