Segunda-feira, 01 de Fevereiro de 2010

Bem sei que prometi passar por aqui e deixar a minha leitura sobre o Deserto. Não foi tão rápido como desejado, mas o tempo é mesmo inexorável (e não chega para tudo). O que importa é que hoje cá estou a cumprir a promessa de falar sobre um dos mais belos livros de Clézio. Falar não será bem o termo, pois fica-se sem fala perante a beleza da escrita do autor. Será antes rascunhar umas frases (imprecisas e provavelmente impertinentes) num apontamento sobre o livro. Mas de uma coisa podem estar certos: fiquei fascinada com o povo azul das areias escaldantes...

 

A lentidão e a cadência de uma caravana no deserto. Assim começa este magnífico romance que nos faz partilhar a vida de Lalla - uma jovem marroquina - durante a colonização francesa.

O autor perde-se (e perde-nos) em brilhantes descrições do deserto, da vida dos "homens azuis", do peso das suas lendas, do valor fundamental da memória dos idosos que não são apressados pelo tempo...

Um magnífico romance sobre a beleza original de uma civilização perdida, da qual os homens azuis do deserto sabem guardar lembranças.

Um magnífico romance sobre a força da identidade e a crueldade do exílio... Mais do que a pobreza, Clézio denuncia o abandono e o esquecimento.

O sol, o calor, as cores, os aromas, a beleza, a poesia, uma subtil mistura de emoções, onde as palavras - aparentemente banais - nos fazem entrar no coração das próprias "palavras", como numa viagem...

Uma escrita despojada e simples como o deserto, com toques de poesia e música...

As palavras são simples como as de um contador. Agarram o leitor pela mão e convidam-no a entrar no seu sonho... pelo trilho quente de um deserto em constante mudança.



publicado por I.M. às 16:36
Domingo, 24 de Janeiro de 2010

Só conhecia esta autora de nome e ligada à ficção científica. Como não sou grande amante do género, nunca tinha lido nada dela. Um destes dias, choquei com Lavínia. Lembrei-me, de imediato, de Eneias e Dido e... não foi preciso mais nada para o livro vir coladinho a mim. Em boa hora este feliz encontro se deu. Cá ficam umas impressões. Brevíssimas. Porque não há palavras para a poesia da prosa de Ursula Le Guin...

 

 

Esta é uma história que se faz grande nos detalhes e na descrição do Lácio que, de repente, fica perto de nós e torna-se verídico. Tão verídico...

Lavínia é uma personagem vinda directamente da Eneida de Virgílio e a quem a autora dotou de voz e personalidade que lhe tinham sido recusadas pelo poeta. Ela é pretexto para sermos conduzidos ao mundo semi selvagem da antiga Itália, quando Roma não era mais do que uma aldeia entre sete colinas.

Paradoxalmente, Lavínia está consciente da sua realidade, enquanto personagem de ficção, e da sua imortalidade literária. Deste modo, a autora brinca com os limites da própria ficção, diluindo subtilmente a linha entre realidade e fantasia, entre factos históricos e mitológicos, entre criação literária e homenagem poética.

Com uma prosa onde o lirismo e o sentimento se apoderam frequentemente da narração, este é um livro que faz com que nos percamos entre a magia que se desprende das suas linhas.

Lavínia pode ser literatura fantástica. Mas soa a real. Tão real...



publicado por I.M. às 16:01
Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

Há um ano atrás, comecei este espaço com "Era uma vez" e terminei com "Deixem que vos conte uma história". Lembram-se? É verdade, já passou um ano... A todos os visitantes deste cantinho, o meu muito obrigada pela vossa assiduidade e pelos comentários carinhosos que por aqui vão deixando.

Hoje a minha proposta vai num sentido um pouco diferente do que é habitual. Mas bem podia começar por "Era uma vez..."

 

 

Rosebud é uma palavra enigmática que ouvimos em "Citizen Kane". Mas é também uma recolha de detalhes inacessíveis a uma grande parte de nós, permitindo perceber realmente uma parcela da personalidade profunda de cada uma das personalidades escolhidas por Assouline. É um livro que nos fala de pequenos instantâneos fundamentais que revelam e desvendam, ao público, essas grandes figuras.

Com a ligeireza que só a distância consegue, Pierre Assouline utiliza a palavra Rosebud como uma metáfora: trata-se de um detalhe revelador  das falhas e segredos de cada um de nós... Entrar no labirinto subterrâneo das pessoas, correndo o risco de aí nos perdermos, eis a proposta que o biógrafo nos faz...

A força da convicção que se desprende destes "fragmentos de biografias" radica na capacidade do autor se identificar no "outro", restituindo-nos a voz dos seus "queridos fantasmas".

Rosebud é um livro habitado por uma paixão e uma curiosidade pouco comuns. Pode ser lido como uma reflexão sobre a biografia ou como uma ponte entre a biografia, a História, o romance, a pintura, o cinema, a fotografia...enfim, todas as formas de arte.

Da obsessão de detalhe nasce uma visão de conjunto. E assim, metemos pés ao caminho por estes itinerários de vida e seguimos cegamente o guia. Já agora, um excelente pintor sem pincel...



publicado por I.M. às 14:22
Segunda-feira, 04 de Janeiro de 2010

Gosto da Lisa See. Conheci-a com O Leque Secreto e li tudo o que dela está publicado em Portugal. Agora, chegou a vez deste último. E voltei a ficar rendida. A história é forte e envolvente. Os mundos cruzam-se e ficamos à espera de ver o que acontece a seguir...

Não me alongo em comentários. Deixo, como sempre, uma impressão.

 

Em Raparigas de Xangai, Lisa See leva-nos numa viagem vívida – tão trágica quanto cheia de esperança – desde Xangai dos anos 30 até à Chinatown de Los Angeles em meados do séc. XX.
Mais uma vez, os temas abordados são poderosos (mas familiares) – os laços entre irmãs, a viagem psicológica… Porém, neste livro, a autora toma liberdades enquanto contadora de histórias, recriando mundos perdidos que foram algum dia sonhados, evocados e ancorados em hábitos e objectos do quotidiano.
Esta saga caleidoscópica transita dos horrores bárbaros da ocupação japonesa para as humilhações sofridas pelos emigrantes chineses em Hollywood. Através dela, Lisa See sublinha a importância das antigas tradições. E é refrescante ver esta época histórica através dos olhos de duas mulheres que se afastam, sendo simultaneamente atraídas (forçadas ou não) pelos costumes que tentam ignorar…
Caracterizações ricas, forte sentido de tempo e espaço misturam-se com romance e suspense. A escrita, essa é suave como a seda dos vestidos de Pearl e May. De tal modo, que o fardo dos horrores descritos se torna mais leve para quem lê. E depois, o realismo ganha lugar acentuado e aprende-se. Como se fosse uma lição de História. Melhor dizendo, o livro lê-se como se víssemos um álbum de família, no qual a autora incluiu o maior número possível de fotografias conseguidas.


publicado por I.M. às 15:46
Terça-feira, 29 de Dezembro de 2009

Mais uma vez, alguém muito especial escolheu para mim este livro. Como sempre que me presenteia com um, fico na expectativa, pois sei que a escolha é feita com carinho, com cuidado e com intenção... A prova está aqui. Uma das minhas paixões é a ópera e, outra, o conhecimento do código de honra dos samurais. Para mim este livro faz todo o sentido. Vindo de quem veio, só poderia fazer...

 

Reza a lenda que a vida amorosa do escocês Thomas Blake Glover inspirou a célebre ópera de Puccini Madame Butterffly, sobre os trágicos amores entre o tenente americano Pinkerton e a gueisha Cio Cio San.
Diz a realidade que esta ópera reflecte o fascínio e o horror que exerceram o encontro e desencontro do Japão com o mundo ocidental no período da restauração Meiji.
Com agilidade cinematográfica, este livro reconstrói a vida de Tom Glover. Ao longo das suas páginas, lenda e realidade entrelaçam-se, deixando-nos sem perceber onde começa uma e termina a outra… Ao longo das suas páginas, a estrutura dramática e o ritmo de guião cinematográfico fazem da narração uma mistura de planos gerais, planos americanos, sequências lentas e zooms, à boa maneira do actual cinema épico.
No entanto, este ritmo cinematográfico, com as suas mudanças de velocidade, dá profundidade dramática aos factos e personagens da história. O autor aproveita de forma exemplar o compasso dos tempos teatrais para desenvolver um discurso estilisticamente raro.
O romance é um “fresco”, não um épico (do meu ponto de vista). Mostra como um só homem contribuiu para transformar o Japão medieval numa sociedade industrializada, alcançando uma elevada posição na fechada hierarquia japonesa. Mostra, ainda, o modo como a rejeição e a inimizade entre os clãs samurais dificultaram a história de amor que  viveu com uma japonesa…
            A Terra Pura é um cuidado romance histórico, que prende o leitor desde a primeira página e que perdura na memória… Vivemos aventuras e coragem, amor e compromisso… E, sobretudo, não esquecemos que no amor e na guerra se forja a alma de um samurai…



publicado por I.M. às 11:40

Nunca tinha lido nada deste autor, por isso decidi comprar este livrinho (cerca de 70 páginas) e fui agradavelmente surpreendida. Li-o num instante e segui avidamente o Carlitos por entre as desilusões de um primeiro amor impossível e um México em mudança...

 

 

Uma cidade e uma criança crescem e transformam-se juntos. As Batalhas do Deserto  é uma história iniciática de um menino que se apaixona pela mãe de um amigo. Uma paixão que serve de pretexto para fazer uma descrição sumária dos defeitos de uma sociedade e para lançar uma crítica a um México passado e obscuro que não deixou saudade a ninguém…
Trata-se de um texto curto - que se lê num ápice - no entanto salpicado por uma série de matizes deveras interessantes. A história gira em torno de  três temas fulcrais: o amor de Carlitos por Mariana, as atitudes da sociedade e a transformação de um país.
À volta destas temáticas, o autor desenvolve uma complexidade narrativa - de aplaudir num romance (?) tão curto -. Esta complexidade traduz-se na combinação de vozes do narrador (criança-adulto) e, também, na forma irónica de abordar temas que se prendem com a modernização que atravessa o México e a distinção entre classes sociais.
Enfim, um belo livrinho no qual o autor nos envolve no mundo de cada personagem que nos apresenta.
O que mais me impressionou foi a sua aparente simplicidade (em todos os sentidos), a provocar uma cumplicidade que envolve o leitor com o autor…
A leitura seduz em todos os âmbitos: uma prosa amena e simples alia-se a uma estrutura simples (mas complexa) da narração que nos leva por muitas leituras do contexto e, claro, do conteúdo.
Uma coisa é certa - perante esta narrativa, não ficamos frios ou indiferentes, pois ela comove, uma vez que a ternura que o autor nos entrega é incomparável. Finalmente, a imagem de Carlitos, o “menino – homem”, transporta-nos àquelas coisas que nos assustam na vida: a solidão, a inveja, o medo e os amores “impossíveis”…


publicado por I.M. às 10:44
Domingo, 27 de Dezembro de 2009

É Natal e, com o mau tempo que nos fustigou e falta de energia eléctrica durante tanto tempo, a leitura não foi posta em dia. Infelizmente...

Este livro veio parar-me às mãos sem ser escolhido. Creio que me escolheu...E em boa hora isso aconteceu. Não sei bem o que dizer dele, pois as palavras são poucas. Digo apenas que dei comigo a pensar como podem o amor, o ódio e a violência conviver tão lado a lado...Mas podem, acredito, quando a amizade faz a ponte e deixa em suspenso o que de pior a vida tem...

 

 

Há livros, filmes ou canções que nos acompanham toda a vida,  porque nos lembram um momento importante ou porque nos marcaram de alguma maneira.
Mil Sóis Resplandecentes é um livro assim. Fica connosco para sempre… Encerra uma história de amizade e solidariedade feminina com a trágica História recente do Afeganistão como pano de fundo. Escrito com uma linguagem transparente, lírica, simples, elegante, centra a sua intriga nos pontos de vista de duas mulheres provenientes de espaços e condições diferentes. Da óptica feminina, somos confrontados com temas básicos – injustiça social, totalitarismo, educação, violência, fanatismo… com um inteligente emprego de contrastes e comunhão essencial entre tradição e modernidade. É um livro que às vezes nos parte o coração, às vezes nos faz sorrir e outras nos deixa frustrados de impotência. É um livro, cujo tema central é o lugar da mulher na sociedade afegã.
Romance ou testemunho, não importa. Penso que o narrador viveu tanto esse cenário convulsivo que conhece na perfeição cada uma das personagens que o habita e que sofre essa loucura de um território sem lei.
Um livro fantástico com uma história ambientada nuns factos perfeitamente narrados. Um livro que é  uma lição que nos mostra o amor como sendo sempre a força maior. Um livro escrito num equilíbrio raro entre a dor e a alegria. Um livro que nos faz dar graças por termos nascido e por vivermos numa outra parte do mundo… Um livro que terminei com um sorriso nos lábios e uma lágrima a deslizar pela face…
 


publicado por I.M. às 19:01
Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

Várias pessoas me têm perguntado se já li o último livro de Isabel Allende. Li, sim senhor. Em espanhol, logo que ele ficou disponível (há já alguns meses). A autora é uma das minhas preferidas e não tive paciência para esperar pela tradução da obra. Porque está agora à venda em Portugal, decidi deixar um pequeno comentário (talvez mais um "sentir"), mesmo sem saber se a tradução lhe retirou o encanto da música negra original...

 

Nesta obra, a autora centrou-se no tema da escravatura -  tema muito actual, considerando que ainda hoje existe em muitos países do mundo-. Fê-lo da melhor maneira que conhece:  um texto de leitura fácil, envolvente, sedutor e mágico... Se esquecermos a denúncia, o romance é de uma doçura extraordinária que prende o leitor na sua história desde a primeira página. Enternecedor e dramático, seriam as duas palavras para descrever o livro...

Com o decorrer da leitura, somos levados a participar nos acontecimentos que decorrem durante as quatro décadas da vida de Zarité (a voz de uma lutadora que não olha a meios para alcançar a liberdade).

Sob a égide da escravatura e da liberdade, Isabel Allende voltou a encontrar-se. Isto é, convida-nos a navegar por mares do inconfundível realismo mágico comum às suas obras. Dei por mim a encontrar ecos da Casa dos Espíritos... Além do mais, retratando a obra a vida dos escravos haitianos no século XVIII, era impossível não estar inundada de uma cultura plena de elementos mágicos e sobrenaturais...

É um livro de amor, de desenganos, de desencontros, de acasos, de paixões ocultas...

Entre plantações de cana de açucar e uma vida de negros sem vida, somos submersos num ritmo de sensações (as deles) e somos transportados ao sítio onde convivem demónios, deuses, vivos, mortos, negros, brancos, a crueldade e ...a esperança.

 

 



publicado por I.M. às 20:26
Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

Faltam apenas doze dias para o Natal e vejo muita gente atarefada (e stressada) nas compras de presentes. De facto, fomos invadidos por uma onda crescente de consumismo que nos faz perder de vista o verdadeiro sentido daquilo que é o Natal. Por isso, e porque quero continuar a acreditar que o Natal é simples (ou não é Natal) lembrei-me desta obra que li há algum tempo. Não que seja o meu género de livro. Nem por isso. Mas merece um comentário, sobretudo porque nele encontrei esta simplicidade que se está a perder numa das mais belas quadras do ano…

 
 
Rosamunde Pilcher é uma escritora que mal conheço, mas com um estilo fluído e peculiar, ainda que previsível. No entanto, este não é um mau livro. A história em si não teria o menor interesse se não fosse pela importância que nela se dá à amizade para chegar ao amor. E não a um amor louco, típico da juventude, mas antes a um amor que demarca a linha da velhice: o solstício da vida dos protagonistas. O amor pausado, sereno…
Ao mesmo tempo promove o valor da amizade e a forma como ela pode ajudar a resolver alguns problemas do quotidiano. E no mundo fictício, os problemas podem resolver-se num ápice…
No romance, o amor é ele próprio o protagonista. Um amor que liga diferentes personagens e que afecta, sobretudo, as femininas Há um grande romantismo que envolve a trama, mas não é vazio nem gratuito.
A autora narra de forma agradável e convincente o estilo de vida campestre, no qual os dramas da vida se entrelaçam com descrições de prazeres simples como degustar uma simples salada acompanhada de um bom vinho e de paisagens agrestes da Cornualha ou da Escócia. E então, parece-nos ouvir o som das ondas, sentir a brisa marítima e notar a humidade do mar…De tal modo, que temos vontade de suspirar por uma vida pacata, na qual se dê importância ao que de verdade importa, prescindindo do supérfluo.
 


publicado por I.M. às 16:09
Domingo, 13 de Dezembro de 2009

Experimentem um lusco-fusco muito próximo já da noite. Uma música que ressoe levemente de um piano...E um livro.

Pois este foi o cenário que me acompanhou ao longo desta leitura. Cá deixo umas pinceladas...

 

Um “nocturno” é uma composição de carácter onírico, expressivo de sentimento, apropriado para o fim da tarde ou noite. Tradicionalmente, estes sentimentos “nocturnos” incluem o arrependimento, a tristeza e a melancolia. Assim acontece com os contos deste livro.
Na obra, o autor impõe-se o desafio de traduzir em linguagem natural as qualidades evanescentes da música e do anoitecer. O livro faz lembrar, assim, um ciclo de músicas, com temas recorrentes, mas desenvolvidos de diferentes maneiras.
De forma circular, este conjunto de contos começa e termina no mesmo espaço - Itália – contendo modulações de tom que bem poderiam fazer dele uma simples narrativa. A abertura estabelece o tom de uma calma melancolia. O segundo conto é mais reflexivo. O terceiro reintroduz um elemento de absurdo… e assim por diante. Curiosamente, todos os narradores do livro parecem similares de conto para conto. O cenário também vai sendo recorrente: hotéis, lugares de transição… mas a monotonia não se instala, graças às subtis mudanças de registo a que o autor recorre. E depois há a música. Aquela música nostálgica que se ouve bem ao fundo, ou mesmo ali ao lado…
A sua prosa é notável (apesar do estilo quase “falado”, mais discursivo e menos formal) por causa de um efeito que em música se descreve como intervalos que ressoam após uma nota dada. Fechamos o livro a pensar nas narrativas como uma nota só. No entanto, elas ressoam muito depois de o termos guardado.
 
Um livro que se lê como se se ouvisse uma peça de música em cinco compassos. Uma analogia entre texto e música que se torna evidente no final da última história que leva o leitor — da capo! — de volta ao início da primeira frase da primeira história…

 



publicado por I.M. às 15:01
Em torno de livros e escritos. À volta de histórias e estórias...
Estou a ler...

Bernhard Schlink , O Outro Homem e Outras Histórias

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