Segunda-feira, 18 de Julho de 2011

A todos quantos por aqui passam deixo as minhas desculpas. O tempo, de facto, não chega para tudo...

Confirmo que o espaço não foi desactivado e que, brevemente, voltará a ser actualizado.

Obrigada pelo vosso interesse.



publicado por I.M. às 22:45
Quarta-feira, 30 de Março de 2011

Tenho recebido alguns comentários a perguntar onde adquiri The Peach Keeper da Sarah Addison Allen . Cá fica o esclarecimento: comprei o exemplar na Amazon.



publicado por I.M. às 22:38
Domingo, 27 de Março de 2011

Chegou o novo livro de Sarah Addison Allen. Comprei-o de imediato e li-o em inglês. Não consegui esperar que ele fosse traduzido.

Comecei a lê-lo no dia em que saiu e não fui capaz de parar. Perdi-me nele, no mundo de Allen. Um mundo cheio de mistério, amor e magia. Conseguem imaginar melhor sítio para nos perdermos?

 


Sarah Addison Allen dá-nos as boas vindas a Walls of Water, North Carolina, onde os segredos são mais espessos do que a névoa criada pelas famosas quedas de água da cidade. Estão lançados os dados para outra história mágica numa cidade igualmente mágica que desejamos nunca deixar.

 

 

Mais uma vez, no seu estilo muito pessoal, a autora tece uma história de amizade(s) e ensina-nos que a felicidade é um risco…

O universo criado no livro, à semelhança dos dos  anteriores romances, parece-nos uma casa  acolhedora e mágica onde nos podemos enroscar num cantinho… Sarah mistura a história local, o thriller misterioso e o realismo mágico. Ler o livro é como uma chávena de chocolate quente num dia gelado. A escrita é deliciosa e leva-nos numa viagem com personagens que saltam da tinta das letras impressas e ganham vida. Como os fantasmas da história… Uma viagem na qual somos participantes activos. E vale sempre a pena! As superstições andam à solta e, no final, nunca mais vamos ouvir um sino, uma campainha,  ou comer um pêssego da mesma maneira.

De novo, a autora escreveu sobre a amizade, a lealdade, segredos profundamente escondidos e confiança. Mas faz-nos, essencialmente, reflectir sobre a importância de acarinhar antigas amizades, de criar novas amizades, de perdê-las e encontrá-las. De como ser verdadeiro consigo próprio é a única forma de se ser verdadeiramente amigo de alguém…



publicado por I.M. às 18:23
Segunda-feira, 21 de Março de 2011

Hoje comemora-se o Dia Mundial da Poesia. Não podia deixar passar a data em branco. Por isso, a todos os poetas presto a minha homenagem.

 

 

O Poeta é um Guardador

 

o poeta é um guardador

guarda a diferença
guarda da indiferença

no incerto
guarda a certeza da voz

Ana Hatherly, in Um Calculador de Improbabilidades



publicado por I.M. às 09:17
Terça-feira, 08 de Março de 2011

O título foi a minha perdição. Adoro histórias e adoro ouvir contar histórias. E contar um filme é contar uma história… Fiquei rendida e não pude evitar um sorriso nostálgico. Veio-me à memória a minha infância quando ouvia contar histórias de filmes (e de teatro) em noites quentes de Verão ou junto à fogueira no Inverno. Depois, contava-as eu aos amigos. E era uma aventura! Hoje, por ser o Dia Mundial da Mulher, deixo as minhas impressões sobre uma menina que se tornou mulher à força da vida e à força das histórias...

 

Muito se diz sobre a forma como a ficção enriquece a vida daqueles que dela se alimentam. Também esta ideia assoma nesta novela curta: a vida de María Margarita, pautada pela miséria e pelo alcoolismo do pai, é resgatada pelos filmes que conta. No entanto, essa mesma ficção transformará a sua vida. Uma vida que se tornará pura nostalgia do que podia ter sido e não foi… Mas afinal, não é esse o efeito que algumas das ficções mais memoráveis têm em nós? Tiram-nos do nosso quotidiano durante uma horas ou uns dias, mostram-nos as múltiplas e exaltantes possibilidades da vida e, de seguida, devolvem-nos ao nosso limitado espaço.

Com uma história simples que alberga grandes emoções, lições de moral e sentimentos, este texto é encantador. É um daqueles livros que, quando se termina, nos faz sentir melhor e nos leva a crer que aprendemos algo que não sabemos identificar, mas que nos tornou melhores. É uma história terna, quase telegráfica, a que não falta uma só palavra… E conta-se uma vida como se conta um sonho ou um filme. Só que esta vida é cheia de tristezas, de dores e de saudades. Mas isso torna-a a ela (e ao livro) mais real e mais credível e, talvez, mais bela…É na simplicidade da história que radica esta sua beleza. Por isso, enquanto a li fui pensando no fascínio que o ser humano sente pelas histórias e pela necessidade de escapar – mediante a imaginação – aos problemas da vida rotineira, através das palavras, contando contos. E penso que esta é a base da história deste livro. Uma história simples, terna (como já disse) e perfeitamente contada com as palavras certas, que nos faz reviver a magia dos cinemas e dos filmes de outros tempos. Que nos faz sentir o calor humano que se cria contando histórias, realçando o poder infinito e a magia universal do cinema e das suas histórias.

Alguém dizia que a “vida é feita da mesma matéria dos sonhos”. Depois de ler este livrinho, eu digo que a vida  pode ser feita da mesma matéria dos filmes!



publicado por I.M. às 10:26
Sábado, 26 de Fevereiro de 2011

 

Já sei que aqui não passo há algum tempo. A vida também é feita de outras coisas (às vezes bem menos interessantes, concordo) …

Mas não deixei de ler. Hoje, mais do que comentar, venho dizer que li em espanhol (não há ainda tradução) La Alargada Sombra del Amor… Tinha lido A Mecânica do Coração e não resisti a voltar a ler o autor. E ainda bem porque, para quem leu o anterior, este livro é obrigatório - um conto para crianças adultas...

Mathias Malzieu é um feiticeiro (começo a achar). A sua escrita envolve e fica a ressoar em nós muito depois de termos lido os seus livros. Confesso até que nem tinha sido grande fã …No entanto, este livrinho é magnífico e pleno de magia. Mais uma vez vi-me no universo de Tim Burton. Só que aqui,  as frases são pura poesia e os sentimentos … direi apenas que nos podemos rever neles, sobretudo se tivermos perdido alguém próximo.

Malzieu contextualiza as nossas angústias, materializa as nossas alegrias e aniquila o nosso desespero…

E depois, fiquei rendida ao conselho daquele gigante Jack – uma ponte entre a imaginação e a realidade - a propósito dos sonhos. Qualquer coisa como: “usa os teus sonhos. Se estiverem partidos, cola-os. Um sonho partido e colado pode tornar-se ainda mais belo do que já era.”

Um comentário acertado, para nos lembrar que os sonhos comandam a vida e que o pior que podemos fazer é renunciar a eles.



publicado por I.M. às 12:02
Terça-feira, 01 de Fevereiro de 2011

Tenho andado longe deste cantinho. O tempo, o tempo…Volto hoje com a continuação de Contra el Viento del Norte (do qual dei nota neste espaço). Este intitula-se Cada Siete Olas. Já o li há imenso tempo e li-o em espanhol (como o primeiro), pois não está traduzido em Portugal. De qualquer modo, não podia deixar de o referir. Mais uma vez, interessou-me o assunto da Internet como veículo de ligações que me fez reflectir nos perigos que nos espreitam a toda a hora. E esses perigos têm vários “rostos”…

 


Dizem sempre que há sete ondas. As primeiras seis são calmas, comuns, tranquilas…mas nunca se sabe o que se pode esperar da sétima. Envolvente, perigosa, capaz de mudar o nosso mundo de cabeça para baixo. Passamos a vida inteira à espera dessa onda, desejosos que nos bata à porta, com medo de a não ver e de a deixar passar…

 

Cada Siete Olas lê-se numa tarde. Ajuda, é claro, que o argumento se desenvolva através de um contínuo intercâmbio de e-mails entre os protagonistas. O texto torna-se ágil, fresco e engenhoso…

Não há narrador, não há cenário, enfim, não há senão uma listagem de mensagens electrónicas que, curiosamente, através do que nos contam, nos levam a fazer uma ideia do tempo, das emoções, dos sentimentos e dos cenários.

Em parte minimalista, em parte poético, em parte realista e prosaico, o discurso da obra é o do quotidiano. Os mal entendidos, a solidão e a insegurança do dia-a-dia adoptam formas contemporâneas mas reproduzem sentimentos humanos universais.

Através de uma terminologia informática tão em voga na era do Google, o autor apresenta-nos uma espécie de comédia urbana que tenta dar resposta às perguntas: quem somos? de onde vimos? para onde vamos?

Eu diria que, com um meio aparentemente tão simples como a mensagem de correio electrónico, se constrói um castelo de cartas com uma intriga que nos consegue interessar e emocionar, sempre à espera da sétima onda…



publicado por I.M. às 14:59
Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011

Votos de um Feliz 2011 a todos os que por aqui passam e as minhas desculpas por esta ausência.

Confesso que sentia falta, mas o tempo insiste em não me deixar fazer tudo o que quero...

Li, entretanto, algumas coisas de que gostei (outras de que nem tanto). Mas não parei de ler… Depois conto.

Desconhecia em absoluto Julia Stuart (mea culpa…), mas aconselharam-me o livro e não resisti. Não será um dos livros da minha vida... No entanto, também não é uma caso perdido. Bom, aqui fica a minha leitura e a promessa de ser mais assídua...


A antiga e sinistra Torres de Londres, que alberga mais de dois milhões de visitantes por ano, poderia servir de inspiração para qualquer escritor (penso eu), mas com toda a certeza para um com uma imaginação excêntrica e ímpar. Foi exactamente o que aconteceu com Julia Stuart. Com uma imaginação fértil e diferente, construiu uma história encantadora, estranha, impossível(?), humorística… Enfim, uma história deliciosa com uma (também) excêntrica galeria de personagens e a misteriosa Torre de Londres como pano de fundo. Isto para não mencionar um exótico coleccionador de chuva…

Trata-se de um romance original e divertido que toca, simultaneamente, o coração de quem lê. Simpatizamos com as estranhas personagens que se (des)encontram na Torre de Londres e com as suas histórias. Divertimo-nos e emocionamo-nos. E depois aprendemos História. Muito ficamos a saber sobre a famosa Torre…

Mas é sobre o poder do amor e a forma como ele pode transformar a mais profunda das dores que o livro nos fala. Apesar de parecerem distantes, as personagens encontram forma de entrar no coração dos leitores, tornando impossível perdê-las de vista. São o género de personagens que poderíamos encontrar num filme dos Monty Pyton. Muitas vezes me lembrei deles enquanto li o livro…

E, num jogo bem calculado, a autora faz de nós “turistas”, ou seja, a razão da existência actual dos guardas da Torre.



publicado por I.M. às 15:27
Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010

Sou fã incondicional do autor deste livro. Rendi-me a Mário, o eterno carteiro de Pablo Neruda. Quando vi o livrinho na prateleira da livraria, o meu mundo iluminou-se. Desta vez encontrei Jacques, um professor de uma pequena aldeia, que vive perto de um moinho e a quem o vento, por vezes, salpica a cara de farinha. E foi amor à primeira vista…

 

Com uma prosa de uma beleza radiante, nostálgica de qualquer coisa que já passou e de qualquer coisa que está para chegar, Skármeta escreveu um texto curto em tamanho, mas extenso em profundidade e conteúdo. Uma escrita sem adornos, mas de imensa beleza e extrema poesia, faz desta uma história iniciática e universal sobre a vida e a passagem da adolescência à idade adulta.

Cada palavra, cada frase é uma jóia. Cada pensamento, cada sentimento deixa ao leitor uma sabedoria sobre o mundo e sobre si próprio.

O livro revela um magnífico trabalho de contenção, de simplicidade, para oferecer uma admirável história que é, simultaneamente, uma espantosa metáfora sobre a inocência (e a sua perca) e sobre os passos que o ser humano deve dar para alcançar a maturidade. Curiosamente, não falta nem sobra nada a esta narrativa sóbria e emocionante. Tal como deve acontecer a uma obra prima…

Por isso, não consigo escolher uma frase deste livro. Tudo está dito e tudo permanece. É um poema em prosa…

E depois há o cinema como pano de fundo e há a literatura e…o livro é uma viagem que prova o poder do destino nas nossa vidas…



publicado por I.M. às 17:01
Domingo, 21 de Novembro de 2010

Nem sempre os best sellers são, para mim, livros de referência. No entanto, não consegui resistir a este. O assunto interessava-me e, em Espanha, foi um sucesso (a ter em conta o número de exemplares vendidos). Confesso que no início pensei deparar-me com um Dan Brown no feminino (e já estou um poquinho cansada da sua fórmula repetitiva). Mas - felizmente - não foi isso que aconteceu. Fiquei pesa na leitura e só descansei quando parei.

 

De repente…de repente um romance. Um romance dos de antigamente, dos de sempre, dos de quase nunca, dos que agarram o leitor e não o largam até à última linha.

Um romance como já quase ninguém escreve – harmonia, precisão de linguagem, variedade, ligeireza e bom gosto. As suas 600 páginas tornam-se curtas, não pesam, e o leitor quase lamenta que acabem. Curiosamente, algumas destas características estão conotadas com o facto de caracterizarem livros que não são “boa literatura” (nem sei bem o que isso é...). O Tempo Entre Costuras é uma boa resposta para este velho dilema, não abdicando das exigências normalmente associadas à qualidade: uma boa história, uma boa construção, uma linguagem apropriada, uma excelente destreza na recriação de atmosferas e, sobretudo, carpintaria - a habilidade para construir efeitos, modular a acção, graduar as impressões e prender a atenção de quem mergulha naquelas páginas. A autora sabe como fazer progredir a intriga, de tal modo que dei comigo a pensar em filmes de Alfred Hitchcock e em livros de Tolstoi. O primeiro por causa do suspense e o segundo porque nesta obra se põe em prática o folhetim melodrámico (que conheceu nos russos um expoente máximo).

Contudo, esta recriação de ambiente e personagens históricos podia, ainda, ser mais bem conseguida. Há alguns lugares comuns e a profundidade pouco intensa… Foi pena.

Diria que, em termos cinematográficos, o romance é uma mistura de Casablanca com Hitchcock. Depois, aromas e cores de Espanha e Marrocos entrelaçam-se com os salões de chá e os vendedores das medinas num fundo colonial multicor. Enfim, só lendo.

«Uma máquina de escrever arruinou o meu destino». Assim começa o texto. Não querem saber porquê?



publicado por I.M. às 15:22
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Steven Saylor, Empire

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