Domingo, 10 de Maio de 2009

Acabei de ler A Ninfa Inconstante e, na minha mente, não fui capaz de deixar de (re)ver o filme "Lolita". Perturbante, o texto incomoda tanto quanto hipnotiza..

 

Comecei a ler o livro como se entrasse num salão de baile e iniciasse uma dança...

A história é magistral. Falam os silêncios. As palavras evocam o que se cala: literatura e cinema. No romance cabe o mundo, a vida inteira com o seu cosmo e o seu caos, até que a música soe diferente...como um eco que se desprende de um bolero.

A obra encerra três histórias que, afinal, são uma só. Ainda que cada qual tenha a sua identidade própria, nenhuma poderia existir por si mesma.

A primeira  é a da linguagem: os jogos de palavras, os encontros e desencontros, as alusões à literatura e ao cinema ou ao som das canções, bem como as frases curtas, rápidas e certeiras, o diálogo vivo e as situações absurdas.

No que à construção diz respeito, tudo parece um puzzle onde nada faz sentido. No entanto, rapidamente o leitor é convidado a captar toda a dimensão da obra e tudo ganha o sentido que parecia não existir.

A segunda história é a de Havana, a cidade recordada, saudosa, sonhada... A descrição exacta, até ao detalhe, dos comércios, dos cafés, dos hotéis, dos clubes fazem dela mais do que um mero cenário.

A terceira história é a de Estela, a ninfa inconstante. Diria eu, a história de uma Lolita trágica e triste. Uma história de amor tecida de enganos, infidelidades e desamores.

Graças à memória e ao seu poder evocativo, esta é uma história perfeita porque presume da imperfeição sem o ser...

 



publicado por I.M. às 19:23
Em torno de livros e escritos. À volta de histórias e estórias...
Na Prateleira...
Shelfari: Book reviews on your book blog
Estou a ler...

Steven Saylor, Empire

pesquisar neste blog
 
links