Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Adoro chá. Sempre adorei. Por isso, não resisti a este pequeno grande livro que li com o aroma a cereja  proveniente da minha chávena de "Chá das Gueixas". Deixo umas impressões vagas. Tão vagas como esse perfume da minha chávena...

 

 

É um belo e poético romance que gira em torno da constante e imortal tradição japonesa  da Cerimónia do Chá e das (muito) inconstantes vidas mortais que a levam a cabo. Por outras palavras, é a história de um amor deslocado e perdido contada através da metáfora da cerimónia   japonesa do chá.

Lembrei-me imenso dos contos de Hemingway: um estilo minimalista, com muito mais impícito do que dito e muito deixado ao leitor para que o descubra a partir do não dito...

Cada palavra é pensada e cuidadosamente escolhida. Por isso, a experiência da leitura da obra é idêntica à que se vive quando se lê poesia.

Subtilmente, mas de forma poderosa, o livro levanta a questão das relações entre o passado e o presente, o tradicional e o moderno e o modo como se reconcilia a necessidade de ser moderno com  a atracção do passado.

A escrita é simples e elegante. Fiquei apaixonada pela forma como são descritos os objectos da cerimónia do chá (bules e taças). É como se retivessem memórias... Passam pelas pessoas (e entre as pessoas), sobrevivendo mais tempo do que todos os dramas que testemunham...

Fez-me lembrar que os objectos podem possuir magia e mistério...

Fez-me pensar que a escrita diz muito sobre o silêncio...



publicado por I.M. às 14:44
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Steven Saylor, Empire

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