Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

Aproximámo-nos da mala. Estava atada com uma corda grossa de palha entrançada, em cruz. Desembaraçámo-la dos seus atilhos e abrimo-la em silêncio. Lá dentro, pilhas de livros revelaram-se à luz da nossa lanterna eléctrica; os grandes escritores ocidentais receberam-nos de braços abertos.

 

Balzac e a Costureirinha Chinesa

 

 

Ningém jamais saberia o que é o amor, se o poeta dele não tivesse falado - disse Marguerite Yourcenar.

 

A história que nos conta Dai Sijie prova que o amor é muito mais do que um artifício poético.

No contexto da "Revolução Cultural" de Mao Tse Tung, dois amigos são enviados para "re-educação" nas montanhas. Ao longo desta encantadora (ainda que dolorosa) história - que capta a magia da leitura e a maravilha do despertar do romantismo - vamos seguindo as duas personagens, num espaço onde a leitura de livros proibidos vai provocar uma revolução maior do que a do Estado. Uma revolução que os faz tomar consciência da sua individualidade, da sua capacidade de sentir e de se emocionar...

A descoberta de uma mala cheia de romances ocidentais traduzidos - interditos entre os interditos - muda a vida dos dois rapazes e de uma costureirinha chinesa - a mais bela de todas.

E então, deslumbrados, assistimos a uma iniciação no prazer da leitura (e do amor). Esta iniciação pela leitura e a abertura a mundos de cuja existência nem suspeitavam, faz com que os três jovens a vivam como se fossem os primeiros  a passar pela experiência.

O que fascina nesta obra é precisamente isso. Numa linguagem simples e límpida, somos levados a sentir a emoção da leitura do primeiro livro, fazendo-nos descobrir o poder das palavras que desfilam perante os nossos olhos.

O poder de um livro, qundo o lemos como se fossemos o primeiro e único leitor...

 

 



publicado por I.M. às 16:57
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