Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Algumas pessoas perguntam-me se não leio livros mais "leves". Nem sei bem como responder, pois acho que aqueles que leio não saõ "pesados". Gosto de boas narrativas e, sobretudo, bem escritas. Para agradar a gregos e troianos, deixo aqui impressões de um livrinho que li nas férias e que me parece se encaixa no perfil "leve" (se é que há um perfil para a designação)...Não é o meu género habitual, mas tem o seu valor.

 

Entrei na cozinha deste restaurante no final de uma tarde de calor e, curiosamente, dei comigo a tentar perceber oito pessoas que bem podiam cruzar-se com qualquer um de nós na vida real. Voltei à mesma cozinha e fui conhecendo, uma a uma, aquelas intrigantes figuras...

A autora estruturou o seu romance contando as histórias pessoais de cada personagem como se fossem uma séria de narrativas interligadas. Como se fossem um conjunto de contos com um tema central.

Por isso, o grande trunfo de Erica Bauermeister reside mesmo na capacidade de criar personagens de cortar a respiração no que à simplicidade e à voz diz respeito.

No entanto, cada personagem, com a sua história, vem acompanhada de um prato delicioso. Um prato que, de algum modo, estabelece (naquele momento) a ligação entre as personagens e as personagens e o leitor. Às vezes, essas histórias parecem ligadas e completas. Mas, às vezes, estão inacabadas...Às vezes entrelaçam-se com outras histórias ou separam-se - como azeite e água - mas cada uma é como mergulhar no diário íntimo de alguém que passamos a conhecer mais de perto.

A capacidade de imaginação e a  escrita descritiva são notáveis na autora. A história não se complica mais do que o necessário, nem parece haver abusos no pormenor. Efectivamente, trata-se de uma escrita leve e refrescante. Todavia, o pormenor não é descurado e o leitor vê como a água escorre pela folha da alface e como vai traçando o seu percurso. Sentir, cheirar e ouvir são sentidos que estão constantemente a ser mobilizados.

A linguagem, tão lírica quanto descritiva, mostra-se rica e evocativa. De tal modo que, de repente, as descrições da comida trazem aromas, cores, texturas e sabores que dão vida às refeições. Ao revelar o mistério passado de cada personagem, a autora oferece ao leitor um olhar sobre o perdão, a tristeza, a alegria e a auto-descoberta. E ela sabe que a comida é mais do que aquilo que pomos na boca. Pode ser um meio curativo enquanto alimenta almas e estimula memórias.

 

Nota: livro a servir bem fresco, de preferência num fim de tarde de um Verão  quente. Adicione-se brisa a gosto e aroma de jasmim ou rosas brancas.

 



publicado por I.M. às 09:52
e com o calorzinho que está...até vai muito bem!!!!
Bjkas!!!!
avelaneiraflorida a 12 de Outubro de 2009 às 22:20

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