Domingo, 18 de Outubro de 2009

Uma querida amiga recomendou-me este livro. Não há como não gostar de amigos que oferecem jóias assim...

 

 

As historias de amor são difíceis de pôr de lado. Esta é uma história de amor única e bela. Um amor que se ergue de um banco de um parque...Mas acima de tudo, é um diálogo  sem palavras entre dois homens - não só de duas culturas - que partilham a solidão e, ao fazê-lo, redescobrem a amizade.

Num estilo narrativo depurado, quase minimalista, conta-se a história do senhor Linh. E o leitor é conduzido a esse jogo. É a magia das palavras, é o poder de uma história sem mais conversas. Tudo passa pela emoção e pela pureza.

O senhor Linh, de personalidade luminosa, se bem que marcada e desamparada, é um homem de grande nobreza que nos envolve no seu silêncio e nos deixa sem voz...A sua história é a de muitos que são obrigados a deixar o seu país e a exilar-se em terras estranhas, onde encontram uma realidade totalmente diferente da sua. É a história do seu desenraizamento, da sua tristeza infinita, do seu desencorajamento, da sua solidão...

Uma escrita apurada e frequentemente poética fez-me pensar em Marguerite Duras - uma escrita onde o leitor, se quiser pôr a sua imaginação a funcionar, descobre, nas entrelinhas, todo um mundo de "não ditos" (ou melhor, de "não escritos").

Nesta fábula (porque não sei o que lhe chamar), o olhar do "outro", o desenraizamento, a dor causada pelo exílio forçado e a perca...tudo faz partir a alma em milhões de pedaços que só o fio cicatrizante da amizade sem fronteiras pode colar.

No seu estilo poético e mágico, esta é uma história que se lê tão facilmente quanto difícil é esquecê-la...



publicado por I.M. às 15:19
Uma escrita cristalina, poética, ...!!!
Penso nos milhares de Senhores Linh que existem.
Todos têm uma "neta" para fazer sentido continuarem neste Mundo que tudo lhes levou.
Anónimo a 19 de Outubro de 2009 às 13:54

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