Quinta-feira, 03 de Dezembro de 2009

A minha amiga M.T. pediu-me para ler este livro. Eu já conhecia o autor e foi um prazer ler mais uma obra dele. Cá deixo a minha opinião.

 

 
 A minha avó (a única que conheci) era cega. Mas foi com ela que aprendi a ver o mundo e os mundos que este continha. Talvez por isso, quando li este livro, não pude deixar de me lembrar dela. A cegueira é trágica, a surdez é cómica – diz o autor. Não sei se é bem verdade…Para a minha avó nunca a cegueira foi trágica. E para o autor, a surdez também não é cómica. Parece-me… O romance, que aparentemente gira em torno do tema da surdez, emerge como uma reflexão sobre a mortalidade. Surpreendentemente, a farsa prometida do sexo dá lugar a uma tocante história pai-filho. E Lodge faz esta viragem subtilmente…
A obra prima pelo excesso de sensibilidade. Toda escrita em tom satírico, permite-nos rir das pessoas, mas de modo a servirmo-nos disso para ver as coisas através de um novo ângulo.
O texto, como a própria personagem principal, parece lutar entre mundos, no extremo de uma conversa que não consegue esconder…
Apesar do humor (requintado) que polvilha as páginas, a história deambula entre o vazio da reforma, com a sua tristeza e a surdez, entre a velhice (ou o envelhecimento) e a morte.
Na verdade, é um romance profundamente melancólico sobre a efemeridade da vida. Tudo feito num jogo de silêncios e palavras. Um jogo de palavras que começa no título, continuando com muitos outros com que nos cruzamos ao longo da leitura. Uma leitura também ela feita em surdina…
Sem dúvida, dou comigo a ver em David Lodge um Woody Allen da  ficção inglesa contemporânea.


publicado por I.M. às 20:34
Obrigada, IM por o teres lido. Estou inteiramente de acordo com a tua reflexão sobre o livro. A morte, para mim, é o tema central. A angústia da morte ..... Enfim, uma obra que pode parecer banal, ao leitor muito, muito distraído. Ao leitor que seja só um pouquinho atento, deixa uma série de questões sobre a vida, sobre a morte.... mas com um sentido de humor extraordinário.
MT
Anónimo a 7 de Dezembro de 2009 às 13:51

Acabei de ler o livro e ainda não me despedi do Desmond. ainda sofro com ele a perda do pai e a sua felicidade com o nascimento da neta que eu considero uma janela de fuga para o ambiente tenso que atravessa a história.Em muitas passagens me vejo como num espelho, porque sou eu a pensar assim e a reagir da mesma forma que o Desmonmd. E a ironia de ele ser professor de Linguística- o estudo da língua po excelência e se ver privado de a ouvir?..Muito poderia dizer mas não é possívwel
celeste a 27 de Fevereiro de 2011 às 17:55

Em torno de livros e escritos. À volta de histórias e estórias...
Na Prateleira...
Shelfari: Book reviews on your book blog
Estou a ler...

Steven Saylor, Empire

pesquisar neste blog
 
links