Domingo, 13 de Dezembro de 2009

Experimentem um lusco-fusco muito próximo já da noite. Uma música que ressoe levemente de um piano...E um livro.

Pois este foi o cenário que me acompanhou ao longo desta leitura. Cá deixo umas pinceladas...

 

Um “nocturno” é uma composição de carácter onírico, expressivo de sentimento, apropriado para o fim da tarde ou noite. Tradicionalmente, estes sentimentos “nocturnos” incluem o arrependimento, a tristeza e a melancolia. Assim acontece com os contos deste livro.
Na obra, o autor impõe-se o desafio de traduzir em linguagem natural as qualidades evanescentes da música e do anoitecer. O livro faz lembrar, assim, um ciclo de músicas, com temas recorrentes, mas desenvolvidos de diferentes maneiras.
De forma circular, este conjunto de contos começa e termina no mesmo espaço - Itália – contendo modulações de tom que bem poderiam fazer dele uma simples narrativa. A abertura estabelece o tom de uma calma melancolia. O segundo conto é mais reflexivo. O terceiro reintroduz um elemento de absurdo… e assim por diante. Curiosamente, todos os narradores do livro parecem similares de conto para conto. O cenário também vai sendo recorrente: hotéis, lugares de transição… mas a monotonia não se instala, graças às subtis mudanças de registo a que o autor recorre. E depois há a música. Aquela música nostálgica que se ouve bem ao fundo, ou mesmo ali ao lado…
A sua prosa é notável (apesar do estilo quase “falado”, mais discursivo e menos formal) por causa de um efeito que em música se descreve como intervalos que ressoam após uma nota dada. Fechamos o livro a pensar nas narrativas como uma nota só. No entanto, elas ressoam muito depois de o termos guardado.
 
Um livro que se lê como se se ouvisse uma peça de música em cinco compassos. Uma analogia entre texto e música que se torna evidente no final da última história que leva o leitor — da capo! — de volta ao início da primeira frase da primeira história…

 



publicado por I.M. às 15:01
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