Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

Quando li este livro, lembrei-me da biblioteca do meu padrinho: mágica, repleta de livros esquecidos que rapidamente adoptei. Como Daniel...

 

Do "cemitério dos livros esquecidos", Daniel resgata um misterioso romance - A Sombra do Vento. Desata assim, sem o saber, uma obscura intriga da qual irá ser involuntário protagonista ao longo de vários anos. Descobrirá que há quem queira adquirir o inquietante livro sem olhar ao preço e que há quem o queira destruir seja como for...

Este "livro maldito" mudará o rumo da sua vida, arrastando-o para um labirinto de intrigas e segredos enterrados na obscura alma da cidade.

Ambientado na enigmática  Barcelona dos princípios do século XX, este mistério literário é uma mistura de romance histórico e de comédia de costumes. Mas é, sobretudo, uma trágica história de amor, cujo eco se projecta através do tempo.

Com imensa força narrativa, o autor entrelaça intrigas e enigmas - como uma  boneca russa - num inesquecível relato sobre os segredos do coração e o feitiço dos livros.

Uma história magnífica, surrealista e nostálgica, onde poesia e violência convivem de mãos dadas. Estranhamente.

Um romance ambicioso na sua narrativa complexa, na sua ambiência histórica e na sua construção densa.

Uma história onde uma biblioteca mágica, num local misterioso, prova que de facto muitos são os escolhidos, mas poucos os eleitos... E esses permanecerão na sombra do vento...



publicado por I.M. às 16:55
Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

A minha relação com Grabiel Garcia Márquez vem de longe. E foi uma relação inicialmente tumultuada. Pode parecer impossível, mas é rigorosamente verdade.

Um dia, mudou. E a responsável foi esta obra, que me deixou a pensar...

 

O Amor é estranho. E à medida que envelhecemos, torna-se ainda mais estranho.

 

Este é um dos livros que não esqueço. Porque é intemporal.

Fundamentalmente é um romence sobre o amor e as suas múltiplas variantes. É, também, um verdadeiro estudo sobre a passagem do tempo que destrói e reconstrói almas e cidades...É, ainda, uma reflexão sobre a memória e os seus infinitos labirintos...

Numa linguagem plena de riqueza e versatilidade, o autor narra um esquema complexo, verosímil e esperançado, de um mundo que se assemelha mais do que pensamos àquele em que vivemos.

O "amor eterno" e os votos feitos nessa perspectiva podem de facto ser honrados, aprendi ao longo da leitura.

Embalados no eco do som do violino de Florentino entramos no espantoso capítulo final: sinfónico, seguro na sua dinâmica e tempo, movendo-se como um barco...

Uma bela história que relata a perseverança de um amor que vai para lá da morte, ancorado na esperança...

Fazendo jus ao poeta, que o "amor seja infinito enquanto dure..."



publicado por I.M. às 11:53
Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

 

Vivendo eu numa sociedade de consumo, e para não entristecer quem vive da publicidade, muitas vezes compro livros só pelas capas.
A Ponte Sobre o Drina foi um deles. Não conhecia o autor (grande lacuna a minha). Pensei: “Se não gostar do livro, pelo menos posso ficar a contemplar a capa”.
Logo nas primeiras páginas percebi que aquele livro tinha sido “feito” para contemplar a capa e a escrita.
O autor escreve e o leitor vê. Vê tudo aquilo que ele escreve. Vê o rio, vê a ponte, vê a guerra e vê a história daquela região passar à sua frente (compreendo, agora melhor, o que se passa no presente, pois os conflitos perduram).
O livro é de uma beleza incrível. Muitas vezes, não só se vê o rio como se ouve a água correr e se sente o cheiro…

Não sei se é um romance, se é um livro de História. Sei apenas que é um livro que recomendo a quem gosta e a quem não gosta de ler.

M.T.



publicado por I.M. às 11:13
Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

Boas notícias para todos os que seguem este espaço de partilha . A partir de hoje junta-se a mim um colaborador que muito estimo. Os seus textos estarão identificados com M.T.

 

Aqui fica o primeiro contributo.

 

Boas leituras!

 

Lê-se de uma assentada. Podemos dizer que é mais um livro sobre os alemães e a segunda guerra. É de facto. Mas muito bem escrito. Escrito a quente porque a sua primeira publicação foi em 1945.

Uma família grega é obrigada a hospedar um oficial alemão.
Quem é o hóspede e quem é o dono da casa?
Quais os sentimentos do oficial alemão para com cada membro da família da casa onde se instala?
O homem do casal chega a simpatizar com o oficial? A ter pena dele?
A mulher tem de facto medo?
E os filhos? O que vêem no oficial alemão?
É um livro para se ler e reflectir. Os horrores de uma guerra não se podem saborear. Por isso, eu digo reflectir. Reflectir nos motivos que levam o ser humano a ser tão anti humano. Na submissão, por parte de outros (chegando mesmo a ser degradante), perante situações extremas.
Será que na realidade todos estes oficiais acreditavam na hegemonia do seu povo?
    M.T.

 



publicado por I.M. às 18:41
Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

Deixei os livros entrar nos meus sonhos e por vezes sonhei que eu é que estava nos livros.

 

Qualquer verdadeiro amante de livros, muitas vezes, já desejou desaparecer num deles. Eu já! Porque assim, a fragilidade torna-se força, a mudez  ocasiona discursos para massas... E por aí fora. Firmin encontra alívio para o seu status exterior tornando-se personagem. Ou melhor, várias personagens.

Trata-se de uma fábula adulta, tocante e divertida, sobre o poder da literatura e da influência dos grandes escritores. Os livros não são apenas poderosos. São mágicos... Tão mágicos que até um rato pode tornar-se num sensível e romântico sonhador "humano"...

Na verdade, Firmin, por força das letras, chega a ser mais humano do que todas as outras personagens que desfilam sob o nosso olhar.

O livro pode ser lido, então,  como uma história sobre o rato amante de livros que existe em (quase) todos nós, ou, como um olhar filosófico sobre a vida.

O autor coloca o leitor perante dois aspectos elementares do humanismo: a natureza terrena do corpo e o reino espiritual da mente. Atribuindo esta dicotomia a um rato conscencioso, brinca com as nossas percepções e as nossas desilusões. Olhando Firmin - como um reflexo de espelho - questionamo-nos sobre nós próprios e sobre a nossa compreensão da realidade.

Porém, acima de tudo, a obra constitui uma forte homenagem a uma vida vivida através e à volta dos livros.

Firmin é um retrato e uma busca da condição humana, que se move entre o estilo simples - mas profundo - sem nunca perder o ritmo.

Tal como me apaixonei por Despereaux, apaixonei-me por Firmin - de modo puro, simples e definitivo.



publicado por I.M. às 16:57
Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

 

 

No banco torto da pequena praça costuma sentar-se uma mulher.

Vejo-a, às vezes, da minha janela...

Hoje, a inquietude chegou devagarinho e invadiu-a.

Deixou-se mergulhar na solidão oferecida, sem hesitar.

O silêncio falava, enchendo o minúsculo recanto do jardim.

Embalada pela brisa, ia esquecendo o tempo.

Voluntariamente...

De azul pintava-se o mar que nunca vira...

Só, como o pássaro do grande plátano na sua melodia, olhou o vento. Deitou-se no canto da ave e partiu.

De mansinho.

Para não perturbar a inquietude do presente...

 

I.M.

 



publicado por I.M. às 17:18
Sábado, 14 de Fevereiro de 2009

Facto: Há muito tempo que não lia um livro tão bom e tão bem escrito.

 

O Leitor, de rápida leitura, implica e envolve emocionalmente. Queiramos, ou não...

Triste e inteligente, trata-se de uma história de amor e de uma história onde a ética ocupa lugar de destaque.

A obra perturba. E perturba no sentido mais estrito do termo, pois irrompe na monotonia, fazendo perguntas que não têm resposta fácil.

Na relação insólita de Michael e Hanna detecta-se, afinal, o cerne do livro: o drama colectivo do povo alemão do pós-guerra. E este é, talvez, um dos aspectos mais interessantes e envolventes do livro. Muito se escreve (felizmente) a partir do ponto de vista dos judeus, mas pouco se produz relativamente à visão dos alemães (da actualidade) sobre o mesmo assunto. Talvez isso traduza o silêncio da vergonha que muitos têm relativamente à Guerra, ou a forma como entendem ser a culpa dos seus pais ou familiares...

O Leitor cativa desde a relação inicial de Michael e Hanna até às profundas reflexões sobre o impacto que a Segunda Guerra teve nas gerações após o nazismo e a forma como foram afectadas.

Mas porque está escrito de modo tão belo e subtil, viajando no passado de agora, em nenhum momento sentimos que os temas que compõem a história estão em julgamento.

 



publicado por I.M. às 21:56
Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

Todas as cartas de amor são ridículas, já dizia Pessoa.

É tão difíci falar do AMOR... Por isso - acredito - existem os poetas. Para bordar a ponto miúdo aquilo que queremos dizer, mas não sabemos exprimir por palavras.

Como não sei redigir uma carta de amor, dou voz a quem sabe o quero dizer...

 

Amo como quem ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?

 

 Fernando Pessoa

 

I para M

 

 

 

 



publicado por I.M. às 14:30
Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

O destino é inevitável.

Este é um romance que trata disso mesmo: da inevitabilidade do destino no que à protagonista diz respeito.

Eszter contempla, imersa na sua própria saudade, como se desmorona tudo aquilo que o tempo demorou a criar. O passado é o núcleo em torno do qual a história se desenvolve, numa espécie de duelo sentimental, em forma de monólogo.

A Herança de Eszter é uma história de outro tempo, outro mundo, que não compreendemos neste mundo de pressas e egoísmo...

Eszter vive num refúgio idêntico a um castelo de cartas, que começa a ruir com a visita do seu antigo amor - Lajos...

A história ensina-nos, então, o quão frágil é a ideia de criar o nosso próprio microcosmos e de viver afastados;  pois, como qualquer microcosmos, quando uma força maior chega, é destruído...

Por entre ares de decadência pessoal e emocional, assistimos a uma profunda análise psicológica das personagens, bem ao estilo de Márai. Simultaneamente, contrastando com a dureza do ambiente com que  nos deparamos, surge a doçura da linguagem oferecida pelo autor. Porque ele é, antes de mais, um escultor do perfeccionismo literário.

Por isso, cada cada folha do livro  converte-se numa paisagem onde abunda o detalhe, onde abunda o sentimento. Onde a sensibilidade que detectamos nos estimula e nos comove...

Sendo o destino inevitável, inevitável é a leitura desta obra. Um canto à paragem do tempo no instante certo...



publicado por I.M. às 18:45
Domingo, 08 de Fevereiro de 2009

Apesar de não ser um dos melhores livros de Maeve Binchy, teve o dom de me fazer sentir na pele o calor do sol das ilhas gregas. E em dias de chuva e frio, nada melhor do que um lugar perdido no mundo, onde o mar é translúcido e a areia nos acaricia...

 

Esta é a história de um Verão mágico num lugar mágico, onde os destinos de seis personagens  se cruzam com consequências imprevisíveis: as seis aprenderão a aceitar a realidade das suas vidas e conseguirão, finalmente e sem medo, tomar decisões... Enquanto tal acontece, o leitor  dá por si a reflectir sobre assuntos preocupantes: a violência doméstica, os pais divorciados, os filhos, o alcoolismo...

Estas personagens têm em comum - e isso é um facto- um ritual tão antigo como o do Filho Pródigo: estão efectivamente a fugir de casa e não sabem onde irão terminar. Mas na beleza de Aghia Anna, a descoberta será feita... Pena que a ilha não se encha de densidade e ganhe também ela o estatuto de personagem (como acontece com a Irlanda em outras obras da autora), com vida própria e personalidade vincada, em vez de se reduzir a uma fotografia de postal...

Porém, é dentro da moldura deste quadro que a história vai acontecendo. Facilmente, como a conversa de um dotado comunicador...

E todo o livro é uma história de ralacionamentos (pai/filho, marido/mulher, amigo/amiga e amantes de amores verdadeiros e não verdadeiros).

É uma história de finais súbitos e novos começos, de amizades nascidas na tragédia e de noites de chuva e estrelas que caem e brilham no mar espelhado de uma bela ilha grega...

 

 

 



publicado por I.M. às 11:40
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Steven Saylor, Empire

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