Domingo, 28 de Junho de 2009

Li há muito tempo este livro. Pela sua originalidade, recomendo-o vivamente.

 

 

O que se pode dizer de um romance no qual um jovem rapaz partilha (durante sete meses) um barco salva vidas com um tigre de Bengala adulto, cujo nome é Richard Parker?

Na verdade, muito pode ser dito e tudo pode ficar no silêncio...

Definitivamente, este é um dos romances mais fora do comum que já li. No entanto, a história que conta é tremendamente profunda e comevedora. Pelo meio, de mãos dadas, passeiam-se as teorias de Darwin, a psicologia de Jung e os pensamentos de Kierkegaard. Curiosamente, o destino e o existencialismo encontram aqui terreno fértil...

Yann Martel conta uma história onde faz o inacreditável parecer credível. É um mestre contador de histórias.

Pi, a personagem principal,  conta a história e, de imediato, essa narrativa adquire um tom que a torna acessível e fácil de digerir. Por seu lado, a escrita linear e inocente cativa e envolve, conduzindo à grande mensagem da obra: a essência do amor e a forma como a vida pode pode confundir a sua verdade.

Em duas grandes partes, conhecemos a infância de Pi no Zoológico e a sua longa viagem no barco salva vidas. E esta segunda parte é deveras interessante, pois o autor não permite que Richard Parker seja mais do que um perigoso tigre e Bengala e que Pi seja mais do que um rapaz desesperado perdido no mar.

Não sei se o livro é uma alegoria, um conto mágico-realista ou uma aventura. Nem me interessa. Só sei que é um dos livros mais originais que já li, onde ciência e destino coexistem num equilíbrio delicado. Um livro que tem qualquer coisa a dizer sobre a vida. Uma excelente história. Mas só podia ser, pois a uma boa história não pode faltar um tigre...



publicado por I.M. às 11:29
Domingo, 14 de Junho de 2009

Um dos meus pssatempos preferidos é sentar-me confortavelmente com uma chávena de chá (quente ou frio, dependendo da época do ano) e ler livros. Este foi o último que visitei. Cá deixo as minhas impressões...

 

Maeve Binchy é uma daquelas autoras mestre na arte de contar múltiplas histórias numa só história. Cada personagem apresentada é essencial para o destino das outras. Por isso, foi com enorme surpresa e grande alegria que vi (re)aparecer figuras já minhas  conhecidas de outras obras da autora. Umas conheci-as na Grécia, outras na Irlanda. Mas foi como reencontrar velhos amigos e saber como chegaram ao fim as suas histórias... Porém, as novas personagens são igualmente fáceis de amar... Confesso que me apaixonei por uma grande maioria...

A história espalha-se em múltiplas direcções, mas não perde o pólo de ligação - uma Clínica de Cardiologia, que é literalmente a alma e coração do livro. Nela, o Amor desfila nas suas inúmeras roupagens e somos confrontados com a vontade que cada um tem de encontrar o seu lugar no mundo...

Aquilo que mais continuo a admirar na autora é a sua capacidade de tornar simples aquilo que parece complexo. Escreve sobre pessoas comuns com problemas comuns, de um modo compassivo e de fácil leitura. Estas vidas entrecruzam-se, de algum modo, tornando a história mais completa.

Se bem que a sua escrita não seja distinta e apurada,  não deixa de ser eficiente e agradável.

De qualquer modo, este livro relembrou-me que a vida está cheia de surpresas maravilhosas. E isso deu-me alento. De alma e coração...



publicado por I.M. às 16:39
Domingo, 07 de Junho de 2009

Acabei há poucos dias este livro. Estive durante algum tempo sem saber o que fazer - falar ou não dele...

Resolvi, finalmente,  deixar um texto muito curto...

 

Três Lindas Cubanas fez-me lembrar (ainda que de um modo diferente) Origens de Amin Maalouf. Por isso, o meu entusiasmo foi crescendo à medida que percebi tratar-se da história de uma família. Gosto de histórias assim...

Rapidamente me dei conta de que não estava, apenas, perante uma saga familiar ou uma demanda familiar...

O livro é de difícil classificação quanto ao género. Mesclando elementos reais e de ficção, ficamos a conhecer Cuba e as transformações pelas quais passou o país com a revolução.

Ou seja, o autor transporta-nos nas suas contínuas viagens a Cuba, dando-nos a conhecer esse país em transformação política e cultural. Assim sendo, o livro é - também - uma crónica de viagens... Mas é, ainda, um voltar às origens, pretexto para dar a conhecer a história da sua família. Curiosamente, o narrador é frequentemente feminino, pois só assim,  através da mãe e das tias, o passado (sobretudo o do autor) parece fazer sentido. Por isso realidade e ficção se entrelaçam... Por isso essa voz faz com que Gonzalo Celorio confronte o que lhe disseram, com o que acredita que lhe disseram, com o que é agora. O autor escolhe, assim, explicar-se através do passado... Talvez por isso o romance me tenha atraído...

Do meu ponto de vista, em parte romance, em parte crónica de viagens, o texto é, acima de tudo, uma experimentação com os tempos narrativos...

Depois é só esperar encontros, desencontros e reencontros... Do fascínio ao desencanto, a viagem interior e simbólica é mais rica do que aquelas que qualquer avião pode proporcionar. Com ela ganhamos sempre qualquer coisa, pois voltamos indiscutivelmente diferentes daquilo que éramos ao partir...



publicado por I.M. às 15:59
Terça-feira, 02 de Junho de 2009

Este foi um dos livros que li com imenso agrado. Talvez tenha sido do espaço onde o li (A Quinta das Lágrimas, num Verão com aroma a Primavera...), talvez tenha sido do meu estado de espírito. Não sei. Sei apenas que nunca mais o esqueci. Discuti-o num Círculo de Leituras (que orientava na altura), mas as impressões que aqui deixo são pessoais. São traços leves de alguns aspectos que me marcaram...

 

 

As Mulheres Que Há em Mim é a história de três gerações de mulheres da mesma família e de uma casa muito especial, cheia de recantos secretos, que se converte em mais uma personagem da obra.

Esta viagem oferece-nos um mundo belo e dramático, por onde vagueia, também, uma personagem silenciosa e inquietante: o jardineiro da casa...

A história - magistral, do meu ponto de vista - arrebata-nos pela força da narração e pela beleza do mundo que desvenda... Simultaneamente, desenrola-se com grande sensibilidade. Basta olhar as cenas mais eróticas, que nunca caem na banalidade nem são gratuitas.

Por outro lado, há uma aura de intemporalidade em todo o livro, pois as histórias das três mulheres são intercambiáveis e, por vezes, basta uma referência isolada para dar nota do tempo que vai passando...

Interessante, também, é a cosmovisão dual da autora: a de um mundo dividido entre mulheres feridas e mulheres por ferir, mulheres que conhecem a dor e mulheres que estão prestes a conhecê-la... Em suma, mulheres infelizes que ensinam a outras  que nenhuma felicidade é duradoura.

À medida que ia lendo o livro, e por força da sua beleza, da sua sensibilidade e até da sua delicadeza, fui-me lembrando do filme "O Amante de Lady Chatterley"... Talvez porque aquele jardineiro seja a figura que destoa num conjunto...uma personagem misteriosa que parece trazer sempre um disfarce e a cuja verdade é muito difícil chegar...

 



publicado por I.M. às 15:20
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