Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Eis mais um livro  dos vários que li durante as férias. Este fez-me ver que (como diz a personagem) há, de facto, dois tipos de pessoas: as que preferem estar tristes no meio das outras e as que preferem estar tristes sozinhas. Mas fez-me ver, acima de tudo,  que a voz  jamais se deve calar...

Ficam uma ideias desconexas, a lembrar a dificuldade de falar sobre o que li. De uma coisa tenho a certeza: é um livro dentro de um livro, a desenvolver a ideia de que os livros são como pombos-correio...

 

Era uma vez, não há muito tempo, que a habilidade para contar e ouvir histórias (as histórias dos nossos dias, as histórias de mitos ou religiões) estava restrita à transmissão directa de "boca a orelha". Depois, perdeu-se...

Mas a nossa (nova) habilidade para retirar as nossas histórias de uma página em branco não reduziu a nossa fome pela voz. E a prova está neste livro.

Neste romance é a voz de Leo que faz com que a história ganhe vida. Leo fala connosco. Leo tem voz.

Este é um livro sobre o perder e o recuperar. Um livro onde verdade e ficção são, às vezes, difíceis de distinguir. Mas não é aí que reside a questão...

Na negação da infelicidade está a criação da felicidade. A felicidade das mais inimagináveis ligações humanas...Graças à sua complexidade, este romance tem a simplicidade da pura emoção e é delicioso também por causa disso.

A prosa é pura poesia e a escrita da autora é um belo exemplo da literatura enquanto arte. Ainda não sei bem porquê, mas à medida que ia lendo, fui-me lembrando de Gabriel Garcia Márquez. Talvez fosse o sentido de "maravilha", juntamente com alguns elementos de fantasia que se vão misturando com a realidade numa espécie de realismo mágico. Não sei e não sei se alguma vez saberei...

As personagens são vívidas e memoráveis pela sua humanidade, a sua excentricidade e a sua força...E ganham vida nas páginas...Todas experienciam a mágoa e a perca, mas mesmo assim não se encontra entre elas uma voz de auto-comiseração.

À medida que a leitura avança, torna-se impossível não amar Leo... Tanto quanto ele ama Alma...

 



publicado por I.M. às 14:39
Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Ao fim de 2000 visitas, não posso deixar de agradecer a  todos quantos visitam este espaço. Espero que continuem a fazê-lo e  a encontrar aqui algumas sugestões agradáveis para as vossas leituras.

I.M



publicado por I.M. às 14:35
Quarta-feira, 09 de Setembro de 2009

As férias terminaram e volto a este espaço para partilhar mais algumas leituras.

Começo bem, tenho a certeza!

Quando me aconselharam este livro, fiquei curiosa. Não conhecia a autora, e o título deixou-me pensativa. Depois, bastou começar...

 

 

O romance é magnífico. Tudo o que escrever será sempre pouco e não traduzirá o que senti ao lê-lo. Há que ler para crer. Por isso, esta reflexão é muito breve e cheia de imprecisões.

A beleza de Elegia para um Americano reside, quanto a mim, na capacidade que a autora tem de revelar as fragilidades da mente humana.

Comecemos pelo princípio: do meu ponto de vista, no original o título é bem mais sugestivo, bem mais forte, traduzindo bem melhor o conteúdo - " Sorrows" nao são apenas as que se prendem à narração e à personagem, mas sobretudo as que se ligam às tristezas e aos desapontamentos com os quais todos, afinal, vivemos.

Trata-se de um livro profundo (embora não o pareça) e absorvente, pois a autora leva ao limite o que um romance pode fazer e o que um leitor pode absorver. Uma vez inseridos na história, a experiência faz-nos sentir ora desadequados ora brilhantes...e finalmente profundamente gratos...

O tom meditativo da obra é poesia no seu melhor. A linguagem tem ressonância e sentido. A cadência está, frequentemente, em contraste cortante com a movimentada Nova Yorque e os seus habitantes. Mas é na descrição da cidade natal de Erik, no Minnesota, que Hustvedt atinge o ponto alto. Esta cidade é um catalisador de memórias, onde não há presente (apenas passado). E, no livro, as memórias são tão vivas como o presente...

Neste cenário movimenta-se um complexo mundo de personagens, cada uma com o seu complexo mundo de existência.

Elegia para uma Americano explora, no fim de contas, a solidão e as histórias por contar...

Só sei que cheguei ao fim e dei comigo a sentir a  desconfortável sensação de saber o quanto iria sentir a falta do livro...



publicado por I.M. às 17:12
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