Domingo, 09 de Maio de 2010

Já li há algum tempo este livro. Cativou-me. mas acima de tudo, surpreendeu-me. Gosto disso num livro.  Além do mais deixou-me a pensar... A Feira do Livro ainda aí está e esta pode ser uma boa aposta para uma compra. Fica a sugestão.

 

 

Neste romance de “histórias”, a autora criou uma personagem sui generis, Olive Kitteridge, que emerge caleidoscopicamente através dos olhares daqueles que a circundam. São treze histórias ligadas entre si pela presença desta mulher que não nos deixa indiferentes… Uma mulher difícil, cuja vida é um desapontamento (muito dele auto-infligido). No entanto,  toca o coração dos outros, trazendo consolo àqueles que desesperam com as suas vidas.

Olive é uma mulher ricamente desenhada, multidimensional, capaz de se surpreender a si própria e ao leitor. Curiosamente, não é sempre personagem central, mas sem ela a narrativa não teria força...

O livro é uma espécie de prisma, com a luz a reflectir diferentes vidas ligadas por laços comuns. E, apesar de individual, cada história pode ser lida como um capítulo. No seu todo, a" macro- história" cativa pelas personagens tão humanas e os locais tão vívidos.

Olive Kitteridge é uma obra sobre pessoas corajosas que lutam contra dificuldades e inconsistências. À lupa, olha-se para um lugar, para os seus habitantes e, ainda, para os seus desejos e emoções.

 

A narrativa está construída  com imensa ironia, momentos de surpresa genuína e intensa emoção. Trata, também,  de um retrato de uma cidade e dos seus habitantes. Por isso, muitas vezes, damos connosco a fechar a página e a olhar em frente para conseguirmos absorver o poder daquilo que acabámos de ler.

 A perda é o tema dominante neste romance. Sobretudo a perda da juventude … Talvez, por isso, às vezes, seja penoso de ler... por causa da sua insistência nas realidades cortantes da vida. Mas é precisamente  isso que o faz tão poderoso e tão gratificante.

No início da história, uma mulher e o marido conduzem através de uma cidade, admirando as casas e as decorações de Natal de cada uma. Ela diz qualquer coisa como: “Todas estas vidas. Todas as histórias que nunca saberemos”…

Parece-me que essa foi a missão da autora: escavou algumas dessas histórias das casas que vemos da estrada e contou-no-las numa linguagem que compreendemos com o coração.



publicado por I.M. às 12:15
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