Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010

Li todos os livros desta autora. Fascinam-me e não consigo resistir. Quando este foi publicado, nem sequer duvidei em comprá-lo. Não sei bem o que esperava, mas não era exactamente isto. Continuo a gostar da autora e da sua escrita. No entanto, senti falta da magia que me foi cativando de livro para livro…

Deixo uma breve nota com as minhas impressões, embora confesse que “não me encheu as medidas”.

 

 

 

Não há neste livro chocolate, magia, vinho, fruta…ou rebuçados.

Há cores (seis), cada uma correspondendo a uma parte. Vamos descobrindo o significado da escolha dessas cores à medida que conhecemos a família disfuncional de BB (blueyedboy) e as suas ligações.

Assim, a obra (eu diria um thriller negro), centra-se na história de um homem de 42 anos que escreve ficção arrepiante e assustadora num Webjournal. Contada com mestria, rapidamente nos damos conta que é uma história de manipulação com um final surpreendente.

Não demora muito tempo ao leitor a começar a questionar-se sobre os relatos: são mentira ou se são realidade?

O interesse da autora é, claramente, explorar o lado negro da Internet e utiliza com inteligência esta ferramenta do dia-a-dia, para nos dar conta das perturbações da mente: o livro está saturado de cor, pois o protagonista sofre de sinestesia (um problema neurológico). Deste modo, a história desenrola-se através da publicação de posts públicos e restritos, num registo epistolar moderno, não sendo de fácil leitura. E é impossível, até ao final, distinguir realidade de ficção.

A linguagem, cheia de intensidade gótica, está longe da de Chocolate ou Vinho Mágico. No entanto, o leitor deixa-se prender por aquele narrador estranho e assustador e dá por si a seguir-lhe os passos.

A prosa é poderosa, mas não esperem uma viagem fácil ou confortável…

 



publicado por I.M. às 22:52
Domingo, 17 de Outubro de 2010

Já ando há algum tempo para falar deste livro. Comprei-o e li-o quase de imediato, pois atrai-me a história da China e, sobretudo, o papel das mulheres nessa civilização tão distante (e tão próxima) da nossa. É uma excelente leitura que vivamente recomendo.

 

Nesta obra, a autora parte do pressuposto de que às vezes nos faltam palavras para expressar o sofrimento que nos atinge.

Numa primeira leitura, o romance parece uma complicada história de amor. Mas lendo o livro com alguma atenção, percebemos que há muito mais. O argumento é sobretudo uma desculpa para aprofundar a história “doméstica” da China que se torna uma  superpotência, com uma tradicão cultural fortíssima. Percorremos uma história de três gerações de mulheres durante um século de História da China e a complexidade das vivências pessoais é semelhante à da evolução de um país que passou de um regime feudal ao moderno capitalismo. E a impressão que o leitor tem da história é idêntica à de um gigantesco moinho a girar ao vento: anda em espiral, ganha força e arrebata tudo o que aparece no seu caminho. São assim as histórias das personagens que vamos conhecendo – personagens sobretudo femininas que chegam, partem e regressam…

Mais do que um romance de acção, este é um romance de reflexão. Elegante, não se pode ler com a voracidade de um leitor compulsivo. É precisa a paciência do construtor de miniaturas, para se saborear a escrita ligada às pequenas coisas do quotidiano. Uma escrita com retrocessos e avanços como só o pode ser a “escrita da memória”

É um livro muito interesante, porque estando escrito de um ponto de vista feminino, nos mostra a imensa quantidade de detalhes sobre a vida da mulher na China.

O estilo é simples. As frases são simples, mas construídas de tal maneira que prendem o leitor.

Um livro para saborear que nos deixa…sem palavras.

 

 



publicado por I.M. às 14:15
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