Sábado, 26 de Fevereiro de 2011

 

Já sei que aqui não passo há algum tempo. A vida também é feita de outras coisas (às vezes bem menos interessantes, concordo) …

Mas não deixei de ler. Hoje, mais do que comentar, venho dizer que li em espanhol (não há ainda tradução) La Alargada Sombra del Amor… Tinha lido A Mecânica do Coração e não resisti a voltar a ler o autor. E ainda bem porque, para quem leu o anterior, este livro é obrigatório - um conto para crianças adultas...

Mathias Malzieu é um feiticeiro (começo a achar). A sua escrita envolve e fica a ressoar em nós muito depois de termos lido os seus livros. Confesso até que nem tinha sido grande fã …No entanto, este livrinho é magnífico e pleno de magia. Mais uma vez vi-me no universo de Tim Burton. Só que aqui,  as frases são pura poesia e os sentimentos … direi apenas que nos podemos rever neles, sobretudo se tivermos perdido alguém próximo.

Malzieu contextualiza as nossas angústias, materializa as nossas alegrias e aniquila o nosso desespero…

E depois, fiquei rendida ao conselho daquele gigante Jack – uma ponte entre a imaginação e a realidade - a propósito dos sonhos. Qualquer coisa como: “usa os teus sonhos. Se estiverem partidos, cola-os. Um sonho partido e colado pode tornar-se ainda mais belo do que já era.”

Um comentário acertado, para nos lembrar que os sonhos comandam a vida e que o pior que podemos fazer é renunciar a eles.



publicado por I.M. às 12:02
Terça-feira, 01 de Fevereiro de 2011

Tenho andado longe deste cantinho. O tempo, o tempo…Volto hoje com a continuação de Contra el Viento del Norte (do qual dei nota neste espaço). Este intitula-se Cada Siete Olas. Já o li há imenso tempo e li-o em espanhol (como o primeiro), pois não está traduzido em Portugal. De qualquer modo, não podia deixar de o referir. Mais uma vez, interessou-me o assunto da Internet como veículo de ligações que me fez reflectir nos perigos que nos espreitam a toda a hora. E esses perigos têm vários “rostos”…

 


Dizem sempre que há sete ondas. As primeiras seis são calmas, comuns, tranquilas…mas nunca se sabe o que se pode esperar da sétima. Envolvente, perigosa, capaz de mudar o nosso mundo de cabeça para baixo. Passamos a vida inteira à espera dessa onda, desejosos que nos bata à porta, com medo de a não ver e de a deixar passar…

 

Cada Siete Olas lê-se numa tarde. Ajuda, é claro, que o argumento se desenvolva através de um contínuo intercâmbio de e-mails entre os protagonistas. O texto torna-se ágil, fresco e engenhoso…

Não há narrador, não há cenário, enfim, não há senão uma listagem de mensagens electrónicas que, curiosamente, através do que nos contam, nos levam a fazer uma ideia do tempo, das emoções, dos sentimentos e dos cenários.

Em parte minimalista, em parte poético, em parte realista e prosaico, o discurso da obra é o do quotidiano. Os mal entendidos, a solidão e a insegurança do dia-a-dia adoptam formas contemporâneas mas reproduzem sentimentos humanos universais.

Através de uma terminologia informática tão em voga na era do Google, o autor apresenta-nos uma espécie de comédia urbana que tenta dar resposta às perguntas: quem somos? de onde vimos? para onde vamos?

Eu diria que, com um meio aparentemente tão simples como a mensagem de correio electrónico, se constrói um castelo de cartas com uma intriga que nos consegue interessar e emocionar, sempre à espera da sétima onda…



publicado por I.M. às 14:59
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