Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

Há um ano atrás, comecei este espaço com "Era uma vez" e terminei com "Deixem que vos conte uma história". Lembram-se? É verdade, já passou um ano... A todos os visitantes deste cantinho, o meu muito obrigada pela vossa assiduidade e pelos comentários carinhosos que por aqui vão deixando.

Hoje a minha proposta vai num sentido um pouco diferente do que é habitual. Mas bem podia começar por "Era uma vez..."

 

 

Rosebud é uma palavra enigmática que ouvimos em "Citizen Kane". Mas é também uma recolha de detalhes inacessíveis a uma grande parte de nós, permitindo perceber realmente uma parcela da personalidade profunda de cada uma das personalidades escolhidas por Assouline. É um livro que nos fala de pequenos instantâneos fundamentais que revelam e desvendam, ao público, essas grandes figuras.

Com a ligeireza que só a distância consegue, Pierre Assouline utiliza a palavra Rosebud como uma metáfora: trata-se de um detalhe revelador  das falhas e segredos de cada um de nós... Entrar no labirinto subterrâneo das pessoas, correndo o risco de aí nos perdermos, eis a proposta que o biógrafo nos faz...

A força da convicção que se desprende destes "fragmentos de biografias" radica na capacidade do autor se identificar no "outro", restituindo-nos a voz dos seus "queridos fantasmas".

Rosebud é um livro habitado por uma paixão e uma curiosidade pouco comuns. Pode ser lido como uma reflexão sobre a biografia ou como uma ponte entre a biografia, a História, o romance, a pintura, o cinema, a fotografia...enfim, todas as formas de arte.

Da obsessão de detalhe nasce uma visão de conjunto. E assim, metemos pés ao caminho por estes itinerários de vida e seguimos cegamente o guia. Já agora, um excelente pintor sem pincel...



publicado por I.M. às 14:22
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