Domingo, 14 de Março de 2010

Confesso que este não era um livro que atrairia a minha atenção. Uma amiga emprestou-mo e disse que tivera uma agradável surpresa quando o lera. Experimentei e gostei. Cá fica uma breve opinião. Aprendi que nem sempre títulos, capas e sinopses (por mais estranho que pareça) resolvem o problema na hora de escolher um livro...

 

É preciso ter alguma coragem para colocar o romance na Grécia, povoá-lo com um conjunto de personagens excêntricas e seguir a vida amorosa - atribulada - das mulheres... Mas a autora consegue. E digo coragem porque o tema não é novo (estou a lembrar-me de O Bandolim do Capitão Corelli); também não é a primeira vez que uma personagem oculta o seu passado e um descendente parte em busca dele... Ou seja, a fórmula repetitiva dos temas abordados peca pela falta de originalidade. Porém esta falta de originalidade depressa se esquece e antes de nos darmos conta estamos envolvidos na vida de Plaka e Spinalonga, e na vida de uma família marcada pela adversidade e pela  tragédia... Em suma, esta falta de originalidade esquece-se essencialmente porque Spinalonga é uma ilha de Creta muito diferente de todas as outras: para aí eram banidos os leprosos para morrerem.

O livro pinta, então, um retrato bastante intimista da vida dos leprosos naquela ilha. E aí é que a obra surpreende. Ao contrário do que se podia esperar, a vida pulsa num lugar de morte e tudo recomeça para cada um dos banidos... Talvez por isso, do meu ponto de vista, os melhores capítulos são os que dizem respeito a Spinalonga.

Com uma prosa ágil, descrições convincentes, um punhado de personagens bem desenhadas e uma história por vezes comovente, Victoria Hislop toca o lado sensível do leitor para lhe recordar que o amor é a força mais impressionante da natureza...

 



publicado por I.M. às 12:54
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