Terça-feira, 27 de Abril de 2010

Eu sei que tenho andado afastada... mas não deixei de ler. O tempo não é muito, mas cá vou deixar mais umas impressões.

Li, há muito tempo, O Afinador de Pianos. Não conhecia o autor, mas o título do livro não me deixou até ouvir a sua melodia. Gostei muito. E então, fiquei à espera de ler outra coisa do autor. Mas esperei muito (talvez uns quatro anos) para chegar a esta Terra Distante...

 

 Uma Terra Distante é um livro sobre o mundo dos pobres... Os muitos milhões de pessoas que vivem como agricultores de subsistência ou abandonam as suas terras, a norte, no interior, para "desenterrar" um modo de vida na mega-cidade do sul. É, por isso, uma bela meditação sobre a pobreza e a migração. Fez-me lembrar As Vinhas da Ira. Mas fez-me lembrar, também, Dickens e a exploração do trabalho infantil.

A história é, aparentemente, simples: uma menina chamada Isabel cresce numa pequena aldeia na extremidade de uma plantação de cana. Quando a seca se torna insuportável, parte para a grande cidade em busca do irmão mais velho. E nós embarcamos com ela nessa viagem assustadora e, simultaneamente, cheia de promessas...

 

O poder do livro reside no facto do leitor sentir as angústias e o desesperos daquelas gentes e de outras que,  como aquelas, embora por um golpe de "sorte", têm a sua "terra distante" na América, em França, em Inglaterra ou em qualquer outro lugar...

 

O Poder de  Daniel Mason enquanto contador de histórias consiste em fazer mergulhar o leitor num mundo tão perfeitamente detalhado que não se vê apenas através dos olhos dos protagonistas. Todos os nossos sentidos são envolvidos. Cada sabor, aroma ou som é visceralmente perceptível. Quando o sol bate forte, sentimos o suar escorrer em bica. Quando as personagens sofrem, encolhemo-nos...

 

Uma Terra Distante é suficientemente longo e termina onde deveria...

 



publicado por I.M. às 15:33
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