Domingo, 27 de Junho de 2010

Comprei o livro apenas pela capa (como às vezes faz a minha amiga MT). Este tinha umas personagens e uns objectos misteriosos envoltos nuns ramos esquisitos. Parecia ser um livro mágico. E tudo o que possa abrir-me as portas à fantasia conquista-me. E este conquistou-me, definitivamente.

 

 

 

Num primeiro e simples olhar, o livro conta a história de um rapazinho de 12 anos que, após perder a mãe, não aceita a nova companheira do pai nem o seu irmão mais novo.
Nesta situação, os livros vão ser os seus únicos amigos. Por isso, a fantasia serve-lhe de refúgio para fugir de um mundo que vê desmoronar-se. Assim, os contos que a mãe adorava vão envolvê-lo até ao ponto de lhe sussurrarem ao ouvido, no escuro...
Realidade e fantasia misturam-se, enquanto a Segunda Guerra Mundial irrompe pela Europa. Através de um buraco no jardim, David passará para o "outro lado" e nunca mais nada será igual para ele... Nem para nós... Lembrei-me imediatamente da Alice no País das Maravilhas e da História Interminável...
E aqui começa complexidade da obra.
Um conjunto de obsessões esconde-se por detrás desta aparente ingenuidade. Os sonhos, o sinistro, as lembranças da infância, a inocência perdida e a morte cruzam-se nesta obra estranha que reinterpreta os contos de fadas (devolvendo-lhes o seu cariz cruel inicial).
Escrito num estilo muito claro, torna-se uma leitura atraente e profunda. Cruel, sem dúvida, e chocante (em alguns casos).
Na realidade, este cruzar de mundos é um pretexto para,  em modo de conto popular, se tratar da passagem do egoísmo próprio da infância para a responsabilidade da idade adulta.
Começa com "Era uma vez..." , como seria de esperar, mas desenvolve-se em versão violenta e atroz. Por isso, não o classificaria como um livro para crianças ou jovens. Ele é um conto macabro, inteligente e imaginativo, que requer maturidade intelectual para entender o seu cariz marcadamente iniciático. É uma história onde nos revemos, pois  faz-nos  lembrar os medos da nossa infância e "as coisas perdidas" (até a própria infância) que dificilmente voltaremos a encontrar...



publicado por I.M. às 12:07
Não sou muito dado a fantasias, é uma limitação, reconheço...
Mas - reconheço igualmente - a forma como abres caminho a este livro é atraente, "iniciática"...

De maneira que...
J. Moedas Duarte a 28 de Junho de 2010 às 01:53

De facto a capa é linda.
E como disse o nosso amigo Moedas, não sou muito dada a coisas "fantásticas" mas o teu comentário deixou-me curiosa em relação ao livro.
Um beijinho e até logo.
MT a 5 de Julho de 2010 às 13:02

Sempre gostei de livros que nos façam sonhar. De facto, depois de ler a tua critica fiquei muito curiosa de o ler ^^
Este é o unico blog literario que gostei ate agora ... beijinho!

http://shellmoments.blogspot.pt/
Sofia a 15 de Dezembro de 2012 às 20:01

Em torno de livros e escritos. À volta de histórias e estórias...
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Estou a ler...

Steven Saylor, Empire

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