Domingo, 21 de Novembro de 2010

Nem sempre os best sellers são, para mim, livros de referência. No entanto, não consegui resistir a este. O assunto interessava-me e, em Espanha, foi um sucesso (a ter em conta o número de exemplares vendidos). Confesso que no início pensei deparar-me com um Dan Brown no feminino (e já estou um poquinho cansada da sua fórmula repetitiva). Mas - felizmente - não foi isso que aconteceu. Fiquei pesa na leitura e só descansei quando parei.

 

De repente…de repente um romance. Um romance dos de antigamente, dos de sempre, dos de quase nunca, dos que agarram o leitor e não o largam até à última linha.

Um romance como já quase ninguém escreve – harmonia, precisão de linguagem, variedade, ligeireza e bom gosto. As suas 600 páginas tornam-se curtas, não pesam, e o leitor quase lamenta que acabem. Curiosamente, algumas destas características estão conotadas com o facto de caracterizarem livros que não são “boa literatura” (nem sei bem o que isso é...). O Tempo Entre Costuras é uma boa resposta para este velho dilema, não abdicando das exigências normalmente associadas à qualidade: uma boa história, uma boa construção, uma linguagem apropriada, uma excelente destreza na recriação de atmosferas e, sobretudo, carpintaria - a habilidade para construir efeitos, modular a acção, graduar as impressões e prender a atenção de quem mergulha naquelas páginas. A autora sabe como fazer progredir a intriga, de tal modo que dei comigo a pensar em filmes de Alfred Hitchcock e em livros de Tolstoi. O primeiro por causa do suspense e o segundo porque nesta obra se põe em prática o folhetim melodrámico (que conheceu nos russos um expoente máximo).

Contudo, esta recriação de ambiente e personagens históricos podia, ainda, ser mais bem conseguida. Há alguns lugares comuns e a profundidade pouco intensa… Foi pena.

Diria que, em termos cinematográficos, o romance é uma mistura de Casablanca com Hitchcock. Depois, aromas e cores de Espanha e Marrocos entrelaçam-se com os salões de chá e os vendedores das medinas num fundo colonial multicor. Enfim, só lendo.

«Uma máquina de escrever arruinou o meu destino». Assim começa o texto. Não querem saber porquê?



publicado por I.M. às 15:22
Mais um guia de marcha para nova viagem.
Tenho pena de não possuir pernas para tanto caminho, fico-me por esta possibilidade de admirar postais escritos...

Tb vou lendo, coisas mais pequenas. Como o excelente "DEIXEM PASSAR O HOMEM INVISÍVEL". de Rui Cardoso Martins, Prémio de Romance da APE 2009, objecto de tertúlia no mais recente "Quintas Com Livros" da nossa Biblioteca Municipal.

Continuação de boas leituras!
Méon a 21 de Novembro de 2010 às 17:17

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