Terça-feira, 08 de Março de 2011

O título foi a minha perdição. Adoro histórias e adoro ouvir contar histórias. E contar um filme é contar uma história… Fiquei rendida e não pude evitar um sorriso nostálgico. Veio-me à memória a minha infância quando ouvia contar histórias de filmes (e de teatro) em noites quentes de Verão ou junto à fogueira no Inverno. Depois, contava-as eu aos amigos. E era uma aventura! Hoje, por ser o Dia Mundial da Mulher, deixo as minhas impressões sobre uma menina que se tornou mulher à força da vida e à força das histórias...

 

Muito se diz sobre a forma como a ficção enriquece a vida daqueles que dela se alimentam. Também esta ideia assoma nesta novela curta: a vida de María Margarita, pautada pela miséria e pelo alcoolismo do pai, é resgatada pelos filmes que conta. No entanto, essa mesma ficção transformará a sua vida. Uma vida que se tornará pura nostalgia do que podia ter sido e não foi… Mas afinal, não é esse o efeito que algumas das ficções mais memoráveis têm em nós? Tiram-nos do nosso quotidiano durante uma horas ou uns dias, mostram-nos as múltiplas e exaltantes possibilidades da vida e, de seguida, devolvem-nos ao nosso limitado espaço.

Com uma história simples que alberga grandes emoções, lições de moral e sentimentos, este texto é encantador. É um daqueles livros que, quando se termina, nos faz sentir melhor e nos leva a crer que aprendemos algo que não sabemos identificar, mas que nos tornou melhores. É uma história terna, quase telegráfica, a que não falta uma só palavra… E conta-se uma vida como se conta um sonho ou um filme. Só que esta vida é cheia de tristezas, de dores e de saudades. Mas isso torna-a a ela (e ao livro) mais real e mais credível e, talvez, mais bela…É na simplicidade da história que radica esta sua beleza. Por isso, enquanto a li fui pensando no fascínio que o ser humano sente pelas histórias e pela necessidade de escapar – mediante a imaginação – aos problemas da vida rotineira, através das palavras, contando contos. E penso que esta é a base da história deste livro. Uma história simples, terna (como já disse) e perfeitamente contada com as palavras certas, que nos faz reviver a magia dos cinemas e dos filmes de outros tempos. Que nos faz sentir o calor humano que se cria contando histórias, realçando o poder infinito e a magia universal do cinema e das suas histórias.

Alguém dizia que a “vida é feita da mesma matéria dos sonhos”. Depois de ler este livrinho, eu digo que a vida  pode ser feita da mesma matéria dos filmes!



publicado por I.M. às 10:26
Gosto de sonhar quando durmo - dizia-me um amigo de infância - é ver filmes de graça...

Nem mais!
Méon a 9 de Março de 2011 às 10:37

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