Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

O destino é inevitável.

Este é um romance que trata disso mesmo: da inevitabilidade do destino no que à protagonista diz respeito.

Eszter contempla, imersa na sua própria saudade, como se desmorona tudo aquilo que o tempo demorou a criar. O passado é o núcleo em torno do qual a história se desenvolve, numa espécie de duelo sentimental, em forma de monólogo.

A Herança de Eszter é uma história de outro tempo, outro mundo, que não compreendemos neste mundo de pressas e egoísmo...

Eszter vive num refúgio idêntico a um castelo de cartas, que começa a ruir com a visita do seu antigo amor - Lajos...

A história ensina-nos, então, o quão frágil é a ideia de criar o nosso próprio microcosmos e de viver afastados;  pois, como qualquer microcosmos, quando uma força maior chega, é destruído...

Por entre ares de decadência pessoal e emocional, assistimos a uma profunda análise psicológica das personagens, bem ao estilo de Márai. Simultaneamente, contrastando com a dureza do ambiente com que  nos deparamos, surge a doçura da linguagem oferecida pelo autor. Porque ele é, antes de mais, um escultor do perfeccionismo literário.

Por isso, cada cada folha do livro  converte-se numa paisagem onde abunda o detalhe, onde abunda o sentimento. Onde a sensibilidade que detectamos nos estimula e nos comove...

Sendo o destino inevitável, inevitável é a leitura desta obra. Um canto à paragem do tempo no instante certo...



publicado por I.M. às 18:45
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