Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

Deixei os livros entrar nos meus sonhos e por vezes sonhei que eu é que estava nos livros.

 

Qualquer verdadeiro amante de livros, muitas vezes, já desejou desaparecer num deles. Eu já! Porque assim, a fragilidade torna-se força, a mudez  ocasiona discursos para massas... E por aí fora. Firmin encontra alívio para o seu status exterior tornando-se personagem. Ou melhor, várias personagens.

Trata-se de uma fábula adulta, tocante e divertida, sobre o poder da literatura e da influência dos grandes escritores. Os livros não são apenas poderosos. São mágicos... Tão mágicos que até um rato pode tornar-se num sensível e romântico sonhador "humano"...

Na verdade, Firmin, por força das letras, chega a ser mais humano do que todas as outras personagens que desfilam sob o nosso olhar.

O livro pode ser lido, então,  como uma história sobre o rato amante de livros que existe em (quase) todos nós, ou, como um olhar filosófico sobre a vida.

O autor coloca o leitor perante dois aspectos elementares do humanismo: a natureza terrena do corpo e o reino espiritual da mente. Atribuindo esta dicotomia a um rato conscencioso, brinca com as nossas percepções e as nossas desilusões. Olhando Firmin - como um reflexo de espelho - questionamo-nos sobre nós próprios e sobre a nossa compreensão da realidade.

Porém, acima de tudo, a obra constitui uma forte homenagem a uma vida vivida através e à volta dos livros.

Firmin é um retrato e uma busca da condição humana, que se move entre o estilo simples - mas profundo - sem nunca perder o ritmo.

Tal como me apaixonei por Despereaux, apaixonei-me por Firmin - de modo puro, simples e definitivo.



publicado por I.M. às 16:57
Uma paixão que também partilho. Uma história comovente, intrigante e desafiadora.
Vera a 26 de Julho de 2009 às 00:17

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