Sexta-feira, 06 de Março de 2009

Este livro encantou-me. Tal como Adriana, também eu cresci num mundo repleto de duendes e fadas e gnomos...ao ritmo da minha imaginação.

Sem tradução em Português, este é um livro metafórico que põe em evidência duas perspectivas e, consequentemente, duas realidades : a da infância e a da idade adulta. Duas realidades tangentes, mas separadas e hostis...Paraísos habitados e inabitados...

 

Trata-se de uma história narrada com a imaginação da infância, essa que nenhum de nós devia perder.

Adriana, a protagonista, cria um mundo de fantasia para sobreviver à vida real. Um mundo feito à medida dos contos que lê, tendo por cúmplice Anderson. Para Adri, as pessoas que vivem no mundo real são os Gigantes, que devem ser evitados pelos gnomos (dos quais faz parte)...

Tudo isto até conhecer Gravila, o menino do sotaque estranho,  e viver fora de tempo (ou no tempo exacto?) uma bela história de amor...Tão intensa quanto o pode ser aos dez anos...

No seu todo, a obra  - quente e triste - corresponde ao clássico esquema da narrativa iniciática: a transição da infância para a idade adulta. De um modo particularmente belo, o processo é explicado a partir de um tempo impreciso e distante, por uma narradora que considera que talvez a infância seja maior do que a vida...

De modo magistral, o livro combina as duas características mais evidentes do percurso literário da autora: o realismo e o imaginário.

Talvez por isso, Adriana fez-me lembrar Alice. Sim, a do País das Maravilhas! Como ela, escapa-se constantemente da realidade, atravessando o espelho da sua própria imaginação, para um mundo onde os unicórnios galopam e deixam as suas pegadas na neve...

A noite é mais do que mágica. Por isso, é o momento privilegiado. O momento da exploração e aventura. O momento em que a casa permite passar para o outro lado do espelho...

 



publicado por I.M. às 11:35
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