Domingo, 15 de Março de 2009

Não foi um livro muito comercial. Penso que muitos nem deram conta da sua existência. Talvez por isso valha a pena referi-lo...

 

A Herança do Vazio é um romance tragicómico, que se desenvolve entre dois continentes e três gerações. A história balança entre Nova Iorque e a Índia, pondo em contraste empregos e condições de vida dos emigrantes.

Esta dupla justaposição de lugar e tempo pode, à primeira vista, distrair o leitor da história. Mas é natural e inevitável, pois  é uma das características da escrita da autora.

As personages são tão "vivas", os locais são tão "vivos" que nos sentimos sempre dentro das suas vidas. Isto porque os espaços têm vida...

Contudo, é através das personagens que são filtrados os antagonismos e convulsões (choque de raças, classes, culturas e gerações) de um mundo maior...

Embora se centre no destino de alguns indivíduos sem grande poder, este extraordinário romance consegue explorar, com intimidade, quase todas as questões da actualidade internacional: globalização, multiculturalismo, desigualdade económica, fundamentalismo e a violência do terrorismo.

A obra oferece todos os prazeres da narrativa tradicional de uma forma fresca e numa voz fresca. Essa frescura não impede, no entanto,  que Dickens e Tolstoi se cruzem  nas esquinas do texto, nas descrições e na construção (humana) das personagens, como uma herança que não cai no vazio...



publicado por I.M. às 14:14
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Steven Saylor, Empire

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