Domingo, 22 de Março de 2009

Li este livro há já algum tempo. O título cativou-me de imediato, pois o sari pode ser visto como uma metáfora da vida da mulher na Índia. Leve, flutuante e feito de belos tecidos representa a expressão da graça, da modéstia e do exotismo. Porém, tendo em conta a forma como envolve a figura femina, pode ser restritivo, nunca permitindo à mulher ser exactamente aquilo que quer, mas antes obrigando-a a ser o que a sociedade exige. E é nestas desigualdades que a história começa...

A obra surpreende, pois consegue captar com simplicidade, e sem artifícios, os recantos do coração humano.

Giarando em torno de um simples empregado - Ramchand - de uma loja de saris, a história faz-nos descobrir a realidade poliédrica da Índia (e das desigualdades sociais), rica em personagens e complicada nas suas relações pessoais.

O coração do romance é o coração de Ramchand que, por um momento, acredita poder restabelecer a justiça confiando na bondade das pessoas. No entanto, o grande argumento é a descoberta do mal que, às vezes, quando se manifesta em toda a sua crueldade, tem o poder de nos paralisar e de destruir toda a esperança...

Plena de lirismo, a história retrata uma sociedade simultaneamente moderna e arcaica, onde convivem tradições ancestrais e uma abertura à modernidade ocidental que continua a encobrir as mesmas injustiças já existentes no passado.

A autora, inteligentemente, leva-nos por caminhos de ingenuidade, como um guia que apenas quer mostrar sem intervir. E acerta plenamente, ao percebermos a hipocrisia daqueles que pensam que mudando a forma mudam as pessoas...

É no meio deste mundo que descobrimos a grandeza de Ramchand, o simples vendedor de saris, capaz de se compadecer de uma mulher que sofre. Um homem que descobre que há leis não formuladas pelos homens, mas inscritas no interior de cada um. E isso é magistral no livro, pois pressupõe um hino à esperança e à bondade (autêntica)...

Muito cedo o leitor fica fascinado pela simplicidade do protagonista e partilha com ele as suas frustrações e os seus sentimentos.

A seu lado, deixa-se ir e percorre as ruas de Amritsar, aprendendo a ver para lá das aparências que a textura do sari esconde e deixa entrever...



publicado por I.M. às 19:22
Este também li e claro que adorei!!!!
Mas agora não tenho tempo para nenhuma leitura....porque será????
Mas tenho uma pilha esperando pelo Verão...
Bjkas!!!
avelaneira florida a 26 de Março de 2009 às 20:43

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