Domingo, 13 de Junho de 2010

Mais um livro que me cortou a respiração. Não resisti a deixar aqui um apontamento sobre esta magnífica, densa e pesada obra que não nos pode deixar indiferentes. A sua leitura "doeu-me" e, confesso,  parei algumas vezes para ganhar alento. Mas fiquei rendida.


1956. É o ano em que Amara, a personagem principal da história, empreende a viagem da demanda ou da memória. Terminada a Segunda Guerra Mundial, o mundo via-se dividido por uma outra: A Guerra Fria. Estes são os dois núcleos narrativos do livro. A uni-los, a história de Amara e Emanuel recriada através das cartas que a protagonista transporta consigo. Cartas inicialmente ingénuas, de um rapazinho que rapidamente se vê envolvido nos horrores da Guerra…
O romance elogia a liberdade, denuncia os crimes e define o sentido de justiça da memória: os fantasmas do passado não se esquecem e o futuro só se pode construir se os criminosos forem condenados e as culpas expiadas…
A fazer lembrar Tolstoi ou Dostoevsky, em primeiro plano ressaltam os comportamentos obsessivos e desesperados da personagem principal, o que a aproxima a uma trágica marioneta obrigada a seguir um guião pré-escrito e sem hipótese de alteração… E em analogia com os escritores russos, a autora dá particular atenção ao pormenor e ao detalhe.
As frequentes digressões na narrativa não alteram a sua tensão. Pelo contrário, permitem reflectir sobre o drama registado. Os diálogos são fluidos e encaixados no texto como peças de puzzle. As personagens são realistas, aterradoras, sublimes, comoventes… Enfim, o texto tem toda a força de um retrato a sépia - ou a preto e branco – que desperta todos os nossos sentidos.
É um belo livro de História e de histórias.

 



publicado por I.M. às 11:33
Mais um livro!
História, histórias.

Obrigado pela sugestão.
Joaquim Moedas Duarte a 14 de Junho de 2010 às 01:02

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