Domingo, 14 de Novembro de 2010

Uma amiga falou-me deste livro e procurei-o por todo o lado. Está esgotado. Apesar de ter ganho vários prémios, em Portugal não causou grande furor. Um destes dias, a minha amiga recuperou o seu exemplar e emprestou-mo. Tal como ela, fiquei rendida ao livro. Deixo impressões muito "imprecisas", pois não sei bem como hei-de falar dele…

 

  

Esta é a história de uma longa carta que a filha escreve à mãe que, a pouco e pouco, vai deixando o mundo. Uma mãe de dupla faceta : ora déspota, ora ternurenta e maternal. O amor assenta nesta ambivalência da narradora e dos seus sentimentos pela mãe, que às vezes a seduz e às vezes a destrói.

A autora conduz-nos, através de areias movediças, à velhice da mãe. Uma mãe que lhe aconselhava "frases curtas".

O texto articula-se em capítulos assinalados por palavras que reescrevem a existência da  velha senhora. A ternura nunca impede a lucidez, e a história é de tacto. De inteligência. Palavras certas, tom certo, emoção e humor. Eis alguns ingredientes da  receita para o sucesso do livro.

Um livro extraordinário quer pelo  assunto, quer pela escrita e pela veracidade do "eu". E não é fácil encontrar o tom certo para esta dualidade de sentimentos e muito menos colocar uma vida que caminha para o seu fim neste espaço literário da bolha –celofane protector.

Frases Curtas, Minha Querida é a aprendizagem da separação. Olhar-se ao espelho e aceitar que, um dia, olharemos o vazio. São também palavras que, sem a libertar, dizem (d)a dor da autora… Enfim, as relações (por vezes) difíceis, mas sempre eternas, entre mãe e filha…em frases curtas…



publicado por I.M. às 19:12
Uma vez que esteve à venda dia 30 de Dezembro, pode ser que ainda seja possível encontrá-lo em tabacarias que vendem o jornal ou talvez na loja do Público.
redonda a 3 de Janeiro de 2011 às 17:25

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