Quarta-feira, 07 de Janeiro de 2009

Talvez esse som fosse a sua mais antiga recordação. Lembrava-se do primeiro Inverno na montanha e da música da água na Primavera. Fora há quanto tempo?

 
Estrela Errante


 



 
Num compasso binário, onde o Verão dá lugar ao Inverno e o Inverno dá lugar ao Verão, assiste-se – de modo circular – à demanda individual de duas mulheres que nos levam a um mundo onde a diversidade cultural e a diferença das tradições afectam irremediavelmente a vida.
Mais do que uma história de guerra, esta é a história de duas mulheres que se cruzam e nunca mais se esquecem (ainda que não tenham proferido uma palavra). Duas mulheres que sofrem por causa da guerra…
De uma actualidade notória, a obra retrata os grandes males que marcam o nosso tempo: os conflitos étnicos e religiosos, a miséria dos refugiados, da guerra e do destino dos indivíduos.
Curiosamente, o espaço do texto não se deixa dominar pela melancolia, pela tristeza e pela infelicidade. A beleza das sensações, das paisagens e o novo olhar que se poisa sobre o mundo deixam-nos maravilhados. Como se tudo víssemos pela primeira vez…
Simultaneamente uma crónica dolorosa e um romance (no sentido épico do termo), o livro é, na verdade, uma lição de humildade e de inteligência.
Enquanto as crianças continuarem a ser prisioneiras da guerra, enquanto a ideia de violência não for rejeitada, estas duas mulheres – Esther e Nejma – permanecerão estrelas errantes…

 



publicado por I.M. às 23:02
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